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Tuesday, 15 January 2013
Revista Lusitânia
Coordenador: Carlos Silva

Com textos de:
Pedro Cipriano
Inês Montenegro
Nuno Almeida
Marcelina Gama Leandro
José Pedro Lopes
Catarina Lima

A5 44 páginas

A revista Lusitânia apareceu nas Internets a meio do ano passado, com uma premissa diferente de muitas outras revistas. Se a BANG da Saída de Emergência pouco publica contos portugueses, a LER vai publicando alguns textos. Resta-nos poucos espaços em formato de revista para que os autores consigam mostrar o seu "talento" *shrugs* (desculpem mas sou alérgica à palavra talento). A Lusitânia vem acompanhar outras revistas como a Fénix Fanzine, Nanozine e Correio do Fantástico onde se publicam textos de vários autores, conhecidos ou menos conhecidos. Na verdade a revista Lusitânia mais parece uma antologia de contos, pois uma revista terá outros elementos mais de não-ficção do que até de ficção (como artigos, entrevistas). Não sei se o próximo número da revista terá artigos ou críticas de livros portugueses, mas seria interessante apostar em mais do que simplesmente contos.

A minha primeira reacção quando vi a capa foi, confesso, dar uma chapada a alguém (ainda bem que estava sozinha). O .jpeg ou ficheiro .png não foi guardado com qualidade 200/300 dpi, pelo que temos a imagem da Raquel Leite muito bonita e depois um Lusitânia feio, pixelizado e a misturar-se pouco com o o resto da imagem com letras a TNR *benzer*. A capa é o primeiro contacto que os leitores têm com o trabalho e se esta está em mau estado, é algo a evitar ao máximo. Sobre a imagem em si, eu até sou bastante defensora do trabalho da Raquel Leite. Vejo os WIPs dela e julgo que esta imagem foi feita de raiz e não com stocks ou fotografias. Contudo mesmo se a técnica tenha sido o airbrush ou feito de raiz, encontrar uma capa para um número onde o único elemento que os une é a tradição/mitologia portuguesa, é complicado arranjar algo uniforme. Pelas diversas opiniões, julgo que os portugueses não gostaram muito da capa, talvez por causa da técnica usada ou porque a imagem pouco diz em relação ao número. 

A nível técnico existem outros pormenores que são cruciais para uma revista: a coesão. A omissão dos nomes dos autores no índice foi o primeiro erro. Basicamente lemos títulos de contos, mas não sabemos de quem. Comecei a ler o primeiro conto "Sonhos de uma noite de Natal" sem saber de quem era. No fim veio a menção do nome da autora. No conto seguinte, o nome da segunda autora já estava debaixo do título. Julgo que se querem colocar o nome do autor no fim do conto, ao menos coloquem no índice para quem quiser, poder ler os contos que tem mais curiosidade. O mesmo princípio de coesão para o header.

A lista de colaboradores não se entende muito bem, ora tem ilustradores, ora tem nome de autores. Julgo que fica melhor no fim da revista, uma secção, sim senhora, com nome dos colaboradores (a idade pouco interessa) e mais como é que eles colaboraram, do que propriamente a sua profissão. Façam coisas originais. Prefiro ler uma biografia onde diz que a autora gosta de cozinhar panquecas, do que saber a profissão dela. Biografias não são CVs. Lembrem-se disso.

Agora passemos aos contos por ordem:

Sonhos de uma noite de Natal
de Marcelina Leandro



Sonhos de uma noite de Natal, um título que invoca um trocadilho com "A Midsummer Night's Dream" de Shakespeare, traz ao leitor um ambiente confortável com um setting natalício. A confecção dos sonhos para o Natal acarreta um novo significado e a prosa de Marcelina está pejada de magia. O único senão é o ultimo parágrafo um pouco súbdito, mas que não estraga o que veio atrás.

Vinho fino
de Inês Montenegro


Este conto tem a mesma base do anterior. Uma ideia muito bem explorada sobre o vinho do Douro, mas que perde-se um pouco no fim com demasiadas explicações e com uma ultima frase que sabe a pouco. A concepção entre ficção especulativa e a tradição do vinho poderia ter uma finalização melhor.

Como Portugal foi salvo pelos pastéis de nata
de Catarina Lima



Um conto muito, muito fraco. Se a Lusitânia apresenta-nos dois contos bons, este é o contrário dos anteriores. Prosa pouco desenvolvida, com pouco nexo e uma premissa que é atabalhoada. E foi este o conto que me levou a pensar que a equipa da Lusitânia é toda de Lisboa, porque o conto passa-se em Lisboa. Lisboa corre perigo... *ahem com licença  alerta caps lock* PORQUE RAIOS É QUE NO TÍTULO TEM PORTUGAL, QUANDO PASSA-SE TUDO EM LISBOA??? É assim tão difícil mudar uma palavra? Como Lisboa foi salva pelos pastéis de nata! Pronto, continua bonito e muito mais accurate do que aquele título! Os dois primeiros parágrafos do conto eram perfeitamente dispensáveis (fazem lembrar uma composição de escola) e lá melhora um pouco quando a bruxa vais comprar a vassoura, mas logo o conto é desviado para o non-sense.

A guerra do fogo
de Nuno Almeida



Este conto deveria ser estudado como: o que não fazer quando se escreve ficção curta. Descrições, muitas descrições e história na última página. O conto é cansativo, desmotivador e só se safou por invocar os Lusitanos, na época onde a Península Ibérica lutava contra Roma. Merecia uma revisão de estrutura, pois o essencial estava lá.

A cidade das luzes
de José Pedro Lopes



Um conto algo longo, com uma premissa futurista interessante. O fim é desinteressante e pedia para algo mais na onda do 1984, do que propriamente um final com uma esperança artificial. A prosa do autor nota-se estar influenciada pelo inglês "Estamos acabados" (we're through) e tem uma outra gralha que saltou mais à vista (falta de verbo). A exploração de um setting cyberpunk seria interessante. Cyberpunk com uma sociedade distópica. A premissa é boa, a exploração, de igual forma, contudo faltou uma finalização que acompanhasse o ritmo do conto.

A passagem uivante
de Pedro Cipriano



Um conto confuso, cujo único traço de tradição portuguesa são as citações de Fernando Pessoa no fim. Pelos vistos estamos em guerra (há a menção de aviões, pelo que penso século XX? Talvez nas províncias ultramarinas? O conto não nos diz). O conto deveria de ser mudado para talvez a batalha de Lys na 1º Guerra Mundial, onde os portugueses embora tivessem sido massacrados, lutaram até ao fim e mostraram bravura.

Chego assim ao fim da crítica da Lusitânia, uma revista que tem muito espaço para evoluir e com a equipa que apresenta, deveria ajudar mais os autores a verem detalhes que escapam quando escrevemos. Sobretudo não ter medo de arriscar!


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