Monday, 29 October 2012

A busca pela identidade

Sempre que dizemos adeus
Anna McPartlin
Editora: Quinta Essência
Páginas: 398

Sinopse:
Harri tenta por duas vezes casar com o amor da sua vida. Das duas vezes não consegue. Os pais esforçam-se distraí-la, mas é óbvio que sabem mais do que querem admitir sobre a sua fragilidade. Aquilo que são forçados a revelar vira o mundo de Harri do avesso. Parece que não só perdeu o noivo, mas também tudo aquilo que sempre tomou como certo. À medida que a verdade do seu passado vem ao de cima e o mundo que ela julgou conhecer se desmorona, Harri esforça-se por apanhar os cacos. Conseguirá encontrar-se novamente e, se o fizer, será demasiado tarde para o amor?
"Sempre que dizemos adeus" parece um título um pouco vago para uma história pela busca de uma identidade e outra história sobre o amor e a luta pela sobrevivência.
O que à primeira vista parece uma história provavelmente um pouco silly sobre casamentos falhados rapidamente transforma-se numa história com momentos pesados. As buscas pela identidade já foram abordadas na literatura feminina mais light por Kleypas, mas McPartlin decide introduzir um factor de humor e sobretudo algo de realismo em diversos momentos que raptam o leitor da sua monótona vida para um mundo paralelo.
As personagens secundárias têm um papel próprio na história, visto a história de Harri e Liv não ocuparem muito espaço. Contudo esse desenvolvimento traz uma lufada de ar fresco no leitor que precisa de vez em quando desanuviar dos dramas e infortúnios da vida de Liz e Harri.
“Sempre que dizemos adeus” é um livro quase impossível de não gostar, pois toca em temas sensíveis para nós enquanto pessoas e seres humanos, conscientes da nossa identidade e do nosso passado. Não podem faltar os vários finais felizes que aquecem o leitor mais sentimentalista ou simplesmente aquele que gosta de ver a ordem do mundo restaurada e os heróis recompensados.

PS: Embora a tradução tivesse já com o Acordo ortográfico, notei algumas gralhas, mas acima de tudo erros de tradução. Convinha que em futuras edições se procedesse a uma nova revisão, visto serem detalhes que se notam bem.

Tuesday, 23 October 2012

iLearn 7º ano

iLearn7
Isabel Filipe, Isabel Martins, Maria Adelaide Rabaça & Paula Simões
Editora: ASA
Preço do bloco didáctico: 33,25€

O que traz para o aluno:
MANUAL
WORKBOOK
THE LEGEND OF THE SHINY AND HER PUPPY (Extensive reading)
MANUAL MULTIMÉDIA



O layout do bloco inteiro é muito agradável. Simples, moderno sem bonecos exagerados e com cores apelativas iLearn é um manual fácil de utilizar. É o manual ideal para uma aprendizagem sólida com grau crescente de dificuldade e para quem se quer desviar dos manuais da Areal e experimentar algo novo, este bloco é bom.

O que traz para o professor:

MANUAL (edição professor)

A primeira coisa que salta à vista é uma quantidade grande de preenchimento de espaços, primeiramente ao seguir a técnica de leitura skim e depois scan. A maior parte dos textos iniciais tendem a seguir os “ídolos” da maioria dos alunos com esta idade: Justin Bieber. Trabalhar com este tipo de personalidades pode ser um incentivo aos alunos a realizarem tarefas extras (pesquisar as influências do Justin Bieber ou uma notícia onde ele aparece online). Contudo com uma nota menos positiva, ainda subsistem os exercícios clichés como por exemplo perguntar a um aluno de 12 anos qual o seu emprego de sonho. Pode haver casos onde já esteja um emprego definido na cabeça dos alunos, mas aos 12 anos deixem a criança pensar que ser astronauta é porreiro e o emprego de operário de fábrica do pai é o melhor do mundo! Para quê pedir aos alunos para escolherem quando eles nem sabem o que é o trabalho verdadeiramente? Porque não fazer um exercício onde pegassem na sua profissão: aluno e tivessem de escolher um salário (oh sim, divirtam-se com a noção de dinheiro que as crianças podem ter), que funções teriam de desempenhar, quantos meses de férias... qualquer coisa que não “qual é a tua profissão de sonho?” Uma nota muito positiva para o conteúdo dos textos, que se ao início não passam de informações soltas de biografias de celebridades, no fim do manual já são textos retirados de diferentes sites e autênticos. Existe assim, uma progressão visível da complexidade de leitura e compreensão da linguagem.

A gramática é o grande turn down do manual. Numa conferência com um professor de faculdade e autor de manuais questionei-lhe o quão difícil era para ele enquanto estudioso das diferentes abordagens da gramática e autor de livros, fazer uma abordagem dedutiva ao passo que a indutiva e a “guided-discovery” é uma abordagem mais eficiente à aprendizagem? Ele respondeu que, apesar de saber que a indutiva e guiada era mais eficiente, um grosso dos professores queriam continuar com a dedutiva e por isso ele fazia aquilo que os professores queriam senão não compravam os manuais dele. O iLearn segue esta corrente de gramática dedutiva com exercícios gerais e com pouco contexto. Fica a sensação de que a Gramática pertence a Marte, enquanto os alunos e os professores estão aqui na Terra a tentar integrá-la.

Por último as festividades estão presentes à parte e normalmente envolvem trabalho de grupo. O trabalho de grupo e os debates são lançados ao acaso sem grande indicação para o professor ou aluno. Como irá o professor realizar um debate com uma turma de 27 alunos? Será que o professor está preparado para fazer um debate? E os trabalhos de grupo como vão ser constituídos? Embora os debates estejam a ser recorrentes nos manuais de 7º ano, os professores deverão ter em conta a realidade e avaliar se um debate será benéfico e se irá acrescentar algo na aprendizagem dos alunos. Fiquei surpreendida ao vez a máscara do Anonymus nas festividades do Guy Fawkes. Até porque achei uma oportunidade muito boa que os professores vão ter para mostrar o V for Vendetta ou a BD do Alan Moore. Não julguem que os alunos mesmo do 7º ano são fraquinhos e só gostam de "Bievers". Primeiro porque ver um filme ou ler BD é sempre fixe, segundo porque o filme tem explosões (oh yeah) e ver um filme com explosões é sempre bom.

Remember, remember the 5th of November!

Numa nota final: confesso que é pessoal e é defeito de todos os manuais, mas não gosto do facto dos manuais para professores trazerem as repostas. Primeiro porque tira a diversão de o resolvermos e conhecermos as dificuldades que os nossos alunos poderão ter. Segundo porque pode haver mais do que uma resposta ou até mesmo a reposta poderá estar errada (em princípio é raro acontecer). O professor tem de ter a noção ao resolver o exercício se ele está adaptado ao que quer ensinar. Ter aquela janelinha ao lado não abona nada para a aprendizagem do professor. Mas como digo isto é pessoal.

WORKBOOK

O Workbook apresenta uma boa ferramenta para os alunos treinarem em casa com diversos exercícios. Houve três aspectos muito importantes:

  • O re-check: testes no fim de cada unidade para os alunos fazerem em casa (se quiserem);
  • O iplay: actividades dinâmicas para os alunos e
  • Uma secção final com filmes e actividades de acordo com o filme em questão! Muito, muito bom! Aprender uma linguagem não é só fazer exercícios até os alunos enjoarem. É também saber como é empregue aquelas regras todas que aprendem e integrar linguagem num contexto.


TEACHER’S BOOK


O Teacher’s book apresenta mais material que pode ser dado ao aluno como treino, embora este não seja tão diversificado como o livro de testes e muito do treino feito aqui será mecanizado, devido ao carácter repetitivo dos tipos de exercícios. Ainda assim este livro está pensado para os professores e em minimizar o seu tempo a procurar exercícios extra sempre que precisam.


LIVROS DE TESTES

O livro de testes apresenta vários testes com diferentes tipos de exercícios focando do listening e writing. Os exercícios são perfeitos para dar a alunos no apoio extra ou até fotocopiar para trabalho de casa para aqueles alunos mais fracos. Tem diferentes exercícios desde o tradicional “fill in the gap” até à escrita de frases e composições. O único contra que estes exercícios apresentam é o seu baixo grau de complexidades, por isso devem ser dados aos alunos com dificuldades, ou que apresentem baixo rendimento escolar na disciplina.


PLANOS DE AULA


Os planos de aula podem ser um pesadelo de se preparar. Nem todos os professores utilizam esta ferramenta após anos de experiência a dar aulas, contudo estes cadernos visam ajudar os professores com as suas aulas, planeando tudo desde os exercícios e temas aos trabalhos de casa! A gramática interactiva presente em cada aula poderá ajudar os professores a saírem da rotina e tentarem novas metodologias para ensinar a gramática que parece ser a ovelha negra do ensino das línguas. Estes planos de aula apresentam-se algo limitados apenas ao manual, deixando pouco espaço para os professores conseguirem adaptar. Planear aulas devia de ser divertido! Also: homework correction? Isso ainda existe? Inovar, meninos, inovar!

CD-ÁUDIO
AULA DIGITAL (CD-ROM)




Hoje estou assim...



Em vias de ficar maluquinha e a chá. Ultimamente tenho estado pouco concentrada no blogue, mas acreditem que não é por falta de motivação. Tenho aqui imensos livrinhos para ler, mas ultimamente tenho preparado as explicações que ando a dar de Ciências em alemão (oh joy) e tenho dedicado algum tempo a estudar ossos e músculos em alemão. Depois estive ainda a fazer a edição extra da Nanozine dedicada ao Nanowrimo e para variar estou ainda a escrever um conto para o Fantsy & Co, que queria ter pronto asap.
Mesmo assim fiz um calendário do que devia de ler nos próximos tempos para fazer crítica e vou tentar escrever pelo menos 3 por semana (cries inside). Isto ao mesmo tempo que faço Nanowrimo durante Novembro (say what?)

Mas hoja trago-vos também uma excelente notícia! A história d'O vai ser publicada pela ASA! *agradece secretamente à E. L. James e à sua ranhosa fanfiction por ter feito despoletar este lançamento*

História d'O
RÉAGE, PAULINE
Ano da Edição / Impressão / 2012
Número Páginas / 160
ISBN / 9789892321226
Editora / ASA
Pvp: 14€

Sinopse:
As correntes e o silêncio, que deveriam aprisioná-la no fundo de si mesma, sufocá-la, estrangulá-la, libertavam-na... Ousaria alguma vez dizer-lhe que nenhum prazer, nenhuma alegria, nenhuma fantasia, poderia aproximar-se da felicidade que sentia na liberdade com que ele a usava? A bela e jovem O testa os limites da sua mente e do seu corpo através de uma sexualidade violenta e inquieta neste romance clássico da literatura erótica. Enclausurada no castelo de Roissy, O submete-se a todos os desejos e fantasias do seu amante. A entrega, total, é-lhe escrita na pele, marcada na carne. Um processo de iniciação que vai levá-la mais longe do que alguma vez imaginou: ao lugar onde o prazer máximo pertence ao outro. Considerado um dos mais polémicos romances do século XX, História d`O foi galardoado com o Prix des Deux Magots, em 1955.

Assim se faz uma blogger ruiva feliz!

Sunday, 21 October 2012

O Tempo do anjo

O Tempo do anjo
Os Cântico de Serafim
Anne Rice
Editora: Europa-América

Sinopse:
Toby O’Dare é um assassino a soldo com fama no submundo do crime. Numa teia de pesadelo e de missões letais, é um homem sem alma e sem nome, às ordens de um misterioso mandante. Quando um dia se cruza com um estranho ser, um serafim, Toby O’Dare terá de escolher entre salvar ou destruir vidas. E ele, que sonhara em tempos ser padre, viaja no tempo até ao século XIII, em Inglaterra, tempos de inquietação e trevas onde judeus são acusados de assassinatos rituais e crianças desaparecem em circunstâncias misteriosas. O Tempo do Anjo, um thriller metafísico sobre anjos e assassinos, marca o regresso de Anne Rice como mestra na criação de histórias que cativaram leitores de várias gerações.


A palavra-chave deste romance é: redemption. Quando se lê um livro com uma forte componente religiosa e, sendo ateia, posso afirmar que Anne Rice passa uma mensagem muito bonita de perdão e arrependimento.
Embora o início não tenha sido dos melhores, a estrutura do livro peca por vezes por não sabermos bem que rumo irá tomar. Mas mesmo com uma estrutura mais debilitada, Rice consegue pegar em diversas situações de acção e embrenhar o leitor na história. O objectivo principal é a salvação da alma de Toby O'Dare, enquanto Rice consegue provar o verdadeiro arrependimento de Toby ao criar uma situação (o seu objectivo secundário), onde este viaja até aos tempos negros da Inquisição. Ao arranjar um final para ambos, o leitor sente-se satisfeito com a leitura breve.

Em "O tempo do anjo" não há espaço para o lado mau da religião, tudo é basicamente idílico. Deus ama os Homens e perdoa os pecadores, oferecendo-lhes uma forma de fazerem o bem. Toby O'Dare é um filho de Deus, mas acima de tudo uma vítima do sistema do Homem. Ao contar o seu passado de uma forma um pouco atabalhoada e com algum info-dump, compreendemos que o caminho de Toby não poderia ser outro. Toby é vítima dos excessos e dos erros da sua mãe alcoólica, é vítima do sistema do Homem que o tornou mau por via das circunstâncias em que se envolveu e que o impediram de seguir o seu sonho e tomar o rumo de vida que gostaria. Ao oferecer a mão para o ajudar, conhecemos um Deus misericordioso. Um Deus que gostaríamos de ver no nosso mundo nos dias que correm.

"O tempo do anjo" não é dos melhores momentos de Anne Rice, mas a sua falta de profundidade não rouba o seu estatuto de um bom livro (mesmo para uma ateia). Arrependimento, segundas oportunidades e uma visão idealista da religião e do mundo, o primeiro livro da série "Os cânticos de Serafim" marca os seus leitores ao revisitar temas intemporais e oferecer algum conforto através da religião.

Tuesday, 16 October 2012

O imaginário de João Barreiros

A Bondade dos Estranhos
O projecto candy-man
João Barreiros
Edição/reimpressão: 2007
Páginas: 152
Editor: Edições Chimpanzé Intelectual

Sinopse
Apesar de ser um livro de leitura perfeitamente independente, este é o 1º volume daquela que será a 1ª Trilogia de Ficção Científica Portuguesa, intitulada " a Bondade dos Estranhos". É uma aventura contagiante, escrita com um ritmo frenético e um sentido de humor muito cáustico, (típico de João Barreiros, incontestavelmente considerado o maior nome da literatura séria de Ficção Científica em Portugal) que nos oferece todo um polémico universo futurista por desbravar, em que os humanos dividem a terra com três espécies alienígenas, que nos prometem utopias distintas. Neste 1º volume, a jovem Joana, a heroína da obra, sujeita que foi a um projecto científico que lhe dá um nível de empatia superior ( o projecto candy-man) é chamada para tomar conta de 500 crias aleinígenas, que são tudo menos crianças, numa espécie de "jardim de infância" que se revela um ecosfera alienígena fascinante e muitíssimo perigosa.

Apesar de ter dado 3 estrelas no Goodreads (Ai o mal destas estrelas), antes de passar à crítica posso dizer que gostei do livro e houve cenas onde adorei e disse "Muito bem pensado". As três estrelas referem-se claramente às personagens, à história criada pelo autor e pelo seu fabuloso uso de humor. E antes de me alongar mais gostaria de dizer que o João Barreiros consegue melhor. Hell, o homem é considerado o melhor escritor tuga de FC e depois destas 150 páginas queria o verdadeiro twist como "A verdadeira invasão dos Marcianos". Tal não aconteceu e ficamos algo enervados por ver algo com tanto potencial ficar-se apenas por uma história assim. Agora passando para a crítica.

João Barreiros entra a matar numa noveleta (que até é tuga) com bastante vocabulário em inglês para abrir a história com o "initial incident" que mais tarde se ligará à história principal. Barreiros não tem papas na língua e é delicioso entender o seu humor. Problema: nem todos lêem inglês ou alemão. E embora seja contra o excesso de tradução em notas de rodapé, a palavra "Angst" (medo em alemão) precisava realmente de uma nota para entenderem a piada. Acho que se este livro tivesse chegado a um público mais abrangente, as pessoas não iriam entender a dica e, ou sentir-se-iam confusos, ou então não entenderiam a piada. Ler e não entender para mim é igual a não ler nada. Mas nem sempre o humor do Barreiros se faz passar através das palavras. A personagem Joana é um menina que pelos vistos se passa do carretos e ferve em pouca água. É uma anti-heroína em todos os níveis: é desconfiada, resolve as coisas com pouca paciência e com muita violência, tudo por causa do projecto Candy-Man.

A grandiosidade do livro centra-se mesmo neste projecto. Uma experiência que foi feita em alguns meninos, lá vinha o Candy-man e se calhasse aquele candy, os meninos seriam muito sortudos. Óbvio que calhou a Joana, mas o engraçado é a sua reacção face ao candy. Porque é que haveria de comer um doce oferecido por um estranho? Sempre lhe disseram para nunca aceitar nada de estranhos! 1º lição que Joana aprendeu foi mesmo essa. O comprimido/candy mudou-a para sempre (e meninos autores aprendam que o Tio Barreiros não dura para sempre, assim se justificam coisas numa história em vez de ficar com pontas soltas). Embora o projecto faça parte do passado de Joana e apresenta consequências para a história principal, esta é bastante simples. Joana, de forma a soldar a sua divida para com o Estado Português (ahhh Portugal na FC), terá de tomar conta de nada mais do que 500 crias alienígena... com a ajuda de uma arma, claro. A história salta entre passado e presente e se a noveleta começa muito limpinha, o final (que o sr. Luís Filipe Silva devia de pegar *cough* *cough*) é uma completa bloody mess. 

Mas o autor consegue fazer melhor (e já conseguiu com a verdadeira invasão), algo que não funcionou bem foi a introdução da Virgem Maria na história. Barreiros habitua-nos a ter tudo planeado, sempre com justificações plausíveis, mas a Virgem Maria e os pastorzinhos foi colocada a martelo, sem justificação e representou apenas uma handicap para a plot avançar (uma estrela a menos) e o twist genial típico do Barreiros nunca chegou a acontecer (menos outra). Permanecem as três estrelas pela história muito bem planeada, as personagens bem construídas com motivos e objectivos claros e o cenário/imagens que o autor consegue manter bem vivas na mente do autor.

Agora tenho para ler "Se acordar antes de morrer" onde o autor juntou os seus contos e ainda a continuação de "Um dia com Júlia na Necrosfera".

Sunday, 14 October 2012

Teaser do texto sobre Anaïs Nin

A convite do blogue "Os livros nossos" escrevi um textinho sobre a experiência que foi ler o livro "Henry & June" de Anaïs Nin. A verdade é que lamentei não conseguir escrever uma crítica imparcial, mas é de todo impossível ficar serena depois de ler este livro.

Aqui fica o teaser do texto do livro:

Muito sinceramente não há elogios suficientes para este livro. O ano passado não consegui escrever uma crítica para o livro da autora Ursula Le Guin “A mão esquerda das Trevas”. Qualquer palavra referente ao livro que não fosse “perfeito” parecia-me escusada e grosseira. Com este acontece o mesmo. Tremo só de pensar que um dia vou voltar a ler Nin e a ver os meus demónios outra vez abertos. Sim, também eu quero escrever sobre aquela mulher que quis beijar e nunca tive coragem. Quero beijá-la no papel. Tenho inveja da Nin! Ao mesmo tempo sei que a autora criou na sua vida tantas mentiras que precisava de as escrever para não se esquecer delas..


Henry & June
Anaïs Nin
Edição/reimpressão: 1994
Páginas: 224
Editor: Editorial Presença
PVP: 15,11€

Sinopse:
Paris, Dezembro de 1931. Anaïs Nin conhece o escritor Henry Miller e a sua mulher June, e regista esse facto no seu diário. É esse relato íntimo que agora se publica e nele Anaïs revela todos os sentimentos de angústia, felicidade, êxtase, tristeza, que marcaram uma relação vivida até aos limites do erotismo e da paixão. Henry é a genialidade, a virilidade física e intelectual; June, a beleza, o mistério das forças ocultas do desejo. Juntos revelam-lhe o outro lado da vida, que as obras de Miller tão cruamente descreviam, e será através desse exacerbamento e dessa perturbação que Anaïs Nin virá a descobrir-se a mulher e a escritora que tanto marcou a literatura do nosso século. «Henry & June» é simultaneamente um documento de valor histórico e o diário íntimo de uma paixão que transgrediu todas as convenções. Um belo livro que o cinema adoptou.

Friday, 12 October 2012

Steampunk + Fantasia épica: será que combinam?

"Downpiral: Prelúdio" é um o primeiro livro de uma série que combina steampunk com fantasia épica escrito 100% em português por um autor nacional. Este é também o primeiro livro da nova editora Editorial Arauto e é de louvar a coragem de uma editora nova (criada este mês), em apostar num tema que os portugueses mal conhecem: steampunk. Tem-se discutido se a editora fez bem em apostar também como primeiro livro numa série em vez de um livro independente, mas isso só o tempo dirá.

Como primeira obra de um autor temos algumas escolhas que o autor tomou que me fazem um pouco de confusão enquanto "editora/beta-reader/crítica/autora" (damn), contudo também houve algo que me fascinou: o vocabulário do autor. O autor tem destreza de vocabulário e consegue utilizar palavras mais rebuscadas num contexto específico sem que este nos pareça estranho ou petulante, ou mesmo retirado do Thessaurus ou do sinónimos do word (essa coisa horrorosa que só se devia de usar... nunca!) Os diálogos estão bem escritos e funcionam quase sempre. Não estranhamos e alguns conseguimos mesmo ensaiar sem parecer forçado. Isto para uma primeira obra é difícil conseguir mestrar os diálogos numa primeira tentativa, so kudos!

A história não segue o tradicional esquema de planeamento de plot, pelo que os capítulos iniciais embora tenham acção, possam ser visto quase como sem importância para o conflito em si. Sinceramente julgo que para autores novos, inovar com a estrutura é um pouco arriscado. O livro só começa a ter acção combinada com a narrativa a meio do livro, o que poderá desagradar a muitas pessoas (mas hey disseram que o primeiro livro do Acácia era boring nas horas e é de um autor super famoso, so whatever on this one).

As personagens e o fim são os dois problemas únicos com o livro. Ainda não consegui entender muito bem o porquê de não conseguir sentir empatia com as personagens, mas acho terrível quando um leitor pensa nas personagens como "meh podem morrer, I don't care!". O autor cria situações para elas, algumas até morrem, contudo muito sinceramente só consegui sentir algo por uma: Stephan. O Alleth parece um pouco herói acidental, a Nev... let's not talk about her, o Stephan é de facto a personagem que foi melhor construída. Talvez seja esse o motivo pelo agrado face a esta personagem, ela parece construída, com defeitos e ambições, talvez ela seja o único que nunca tropeça nas coisas, mas que tem objectivos bem definidos e isso é importante. O que também não ajuda ter um role de personagens muito grande, mas sendo uma série o segundo livro pode haver espaço para desenvolver personagens que ficaram um pouco esquecidas. 

O Worldbuild é maioritariamente eficaz, gostei dos Steamknights foi um conceito engraçado, mas fica a impressão que de vez em quando o autor espera demasiado de nós enquanto leitores. Demasiados conceitos novos, um mundo novo, moeda nova, povos diferentes, muita coisa que uma pessoa tem de assimilar. A piece of advice? Leiam com calma! Este livro não é um page-turner, leiam com calma, com quatro olhos e se for preciso, voltem atrás para reler.

Outro problema foi o final. E agora deixemos a crítica de lado (eu já conversei sobre isto com o Anton, so no news here, mas isto serve para todos os autores que escreveram séries ou vão escrever). Quando se escreve o primeiro volume de uma série RESOLVAM um conflito. Por exemplo, a série da Sookie Stackhouse conta com 12 volumes. Em cada volume existe um sub-plot para manter o leitor atento e o mistério, enquanto o grande plot (a relação entre Sookie-Bill-Eric) se alonga durante 12 livros. Imaginem a seca que era se a Harris decidisse que só iria resolver os crimes passado dois ou três livros? O problema é que os autores pensam que as pessoas precisam de ficar curiosas com os volumes seguintes. Eu concordo, em parte. Sinceramente tem de haver alguma conclusão. Primeiro porque depois os autores não sabem como atar as pontas e ficam perdidos nas estruturas que criaram, segundo porque os leitores não são obrigados a ler a continuação. Eu tenho os dois livros da Sookie e estão bem. Posso ler e pensar "Ok o mistério ficou resolvido", não sei com que a Sookie vai ficar no fim: será o Eric ou o Bill? Mas ao menos tenho livros que apresentam parte de uma conclusão. O leitor ganha porque hey se não me apetecer comprar o segundo ao menos não fico com metade de um livro e ganha o autor porque continua a seduzir o leitor dando e mantendo coisas para si próprio.

Claro que vou ter de ler o segundo volume para ver afinal como acaba a história, e acho que apenas as personagens precisam de se calhar maiores sustos, tal como parte de uma conclusão para dar mais vivacidade à história em si.
Para quem gostar de fantasia pode descobrir como se alia a fantasia ao Steampunk, para quem gosta de Steampunk pode-se casar com a fantasia épica sem problemas. Ficarei a aguardar o segundo e a ver se estas duas falhas são colmatadas.

One last thing: embora eu tenha entendido algumas frases numa língua criada pelo autor, acho que muitas pessoas que não falem alemão ou inglês, poucas entenderão o que está a ser dito. Espero que o autor coloque no fim do livro as traduções, porque ler frases e não entender é, para um leitor, frustrante.

Tuesday, 9 October 2012

Constipação.. be gone!

Detesto estar doente! Atrasa-me tudo e atrasos neste momento é algo que eu não preciso. Infelizmente depois de dias de caminha e a gripe a tornar-se em constipação já gastei metade da floresta Amazónia e mesmo assim o meu nariz não está contente.
Mas mesmo doente, cheia de dores de corpo ainda consegui trabalhar (oh sim apegar doenças aos meninos) e estou neste momento a paginar 3 revistas e uma Antologia. Estou também a preparar uma edição especial da Nanozine dedicada à erótica (para já não adianto "mai" nada). Mesmo assim ainda estou a ler dois livros ao mesmo tempo e é isso que vos venho falar neste momento. 

Vou sensivelmente a mais de metade do livro. O primeiro volume do primeiro livro de steampunk fantasia portuguesa caracteriza-se por o uso do português ora brejeiro e informal, ora com um tom mais formal e ainda por um worldbuild competente. Num tom menos positivos temos uma forte componente descritiva que bloqueia uma conexão entre leitor - personagens (para já, claro).
A estrutura ainda está um pouco turva na minha cabeça, por isso só me poderei pronunciar quando terminar a leitura, para ver se a alteração da mesma foi positivo ou se contribuiu para esta falta de conexão.








Uma colectânea de contos de nomes sonantes da literatura portuguesa de todos os tempos. Nunca pensei dizer isto, mas o conto mais fraco até agora é o do Eça. Não estou a brincar e fiquei seriamente desiludida. Nem parece Eça. A história é cliché, as descrições são levadas ao extremo e não há nenhum plot twist. Eu amo os contos do Eça. Quando pude estudar os contos dele como "A Aia" ou "Singularidades de uma rapariga loura" foram os melhores 8€ que dei. Mas este meus senhores... yeeck! O qu enão implica que sejam todos maus. Aliás este é mesmo o piorzinho. O do Camilo Castelo Branco e de Júlio Dinis são muito bons! Com temas como a avareza, os autores mostram que conseguem escrever um bom conto.



Agora vamos ver como esta constipação se desenvolve e ver se o ritmo das leituras acelera.

Wednesday, 3 October 2012

O primeiro romance steampunk português

Downspiral - Prelúdio
Volume I
Anton Stark
Editora: Editorial Arauto
Páginas: 400
Pvp: 11€


Sinopse: 

Dinheiro. É tudo o que Alleth Vairs necessita e tudo o que o levou a juntar-se ao Serviço de Reconhecimento Amorsleano. O trabalho de espião paga bem, mas a nova missão pode trazer-lhe mais do que uma recompensa avultada. E os deuses, dizem, são graciosos...

O duque Rehnquist Alvaro sonha com uma Amorslea forte e unida. Para se certificar que certos obstáculos são removidos desse caminho, terá que operar nas sombras, manipulando os destinos do reino com jogos de poder.

Stephan Kallistos é atirado à força para o comando de um regimento destroçado após uma esmagadora derrota da Confederação. A promoção não lhe agrada, de todo. De facto, o avanço na carreira pode revelar-se terminal.

Do Norte Gelado os Crentes lançam-se uma vez mais contra os hereges do sul, e Quanon da Chama avança com os seus irmãos de templo nas fileiras da frente, pronto para a batalha.

Neste primeiro volume da saga Downspiral, a primeira saga steampunk em português, o leitor percorrerá por terra, água e ar os territórios dos Reinos de Vapor, acompanhado por várias personagens cujos destinos se entrecruzam - e, mais importante de tudo, começará também ele a questionar-se: o que é o Sopro, para que serve, e porque tantos o procuram?

Crítica do livro ainda esta semana.

Tuesday, 2 October 2012

Penicos, meus amores! PENICOS!

O penico do céu
Hermino C. Francisco
Chiado Editora
Páginas: 342

Pensava a vossa querida Adeselna que ia ler um livro de rir sobre os tomates do Afonso Henriques... e sai-me um romance histórico não sobre penicos, mas sobre uma aldeia onde chovia muito e, por isso, diziam que se chamava o penico do céu! Está explicado o título. Vamos à crítica?

O penico do céu é um romance histórico, que conta a história do Vale de Midões, desde o momento em que foi baptizado com este nome e porquê, até aos dias de hoje. Atravessamos algumas gerações, mais propriamente o século X e XX. Os saltos temporais podem ser bem acompanhados, talvez porque o autor decidiu não investir muito tempo durante os saltos, de modo a que o leitor consiga compreender as informações adicionais. Dito isto, nota-se que o autor tem detalhes bastante curiosos sobre a Idade média, muitas vezes na construção do diálogo que não é artificial, mas que conjuga com a época. O autor apresenta ainda detalhes da economia da região e de detalhes como, por exemplo a comida. O romance possui ainda uma vertente religiosa em honra da Santa Luzia, padroeira da personagem principal: a família de Gualdin. A Santa protege a família e é a partir daí que o autor se apoia para justificar o porquê do sucesso e da sorte desta família. 
Embora o livro não siga a estrutura clássica, julgo que o livro serve apenas para contar a história de uma aldeia, que como o narrador diz, ninguém conhece. O que leva a que o autor abuse da regra "tell", em vez de show. Curiosamente, não incomoda muito o leitor. Esta técnica de contar acontece como se conseguíssemos estar ao lado do narrador, a ouvir contar a história da sua aldeia esquecida pelo tempo.
Contudo, existem alguns problemas que quebraram a leitura, como o excesso de pontos de exclamação, o excesso de parágrafos numa página (por vezes eram 5 parágrafos na mesma página) e a mudança de narrador da 3º para a 1º pessoa. Encontrei apenas três gralhas, uma foi mesmo distracção do autor na acentuação.
Um livro para quem gostar de conhecer mais sobre aldeias esquecidas, com um toque leve de humor e com curiosidades históricas interessantes.

PS1: A capa está giríssima.
PS2: Tentei pesquisar sobre a aldeia ou a família no Google, mas sem sucesso. Se alguém conhecer algo sobre o Vale de Midões pode comentar aqui em baixo.

Sobre o autor:
Nasceu na Murganheira, Freguesia de Pombeiro da Beira, no ano de 1945. Começou a trabalhar na indústria hoteleira em Lisboa, com a idade de onze anos (1956). No fim do ano de 1962 foi para Angola e em 1970 abriu o seu primeiro bar na cidade de Lobito, Angola, e em 1975 retornou a Lisboa onde continuou a sua actividade de dono de bares. Em 2010 deu início à sua actividade literária.

Série "Os cânticos do Serafim" completa

O Anjo das Trevas #2
Os Cânticos do Serafim
Anne Rice
Obras de Anne Rice
Páginas: 144
PVP: 17.50€

A sequela d' O Tempo do Anjo



Sinopse:
«Sonhei com anjos. Vi-os e ouvi-os numa enorme e interminável noite galáctica. Vi as luzes que simbolizavam estes anjos, voando aqui e ali, em laivos de um brilho irresistível […] Senti amor em redor de mim neste vasto e contínuo domínio de som e luz […] E algo semelhante a tristeza apoderou-se de mim e confundiu toda a minha essência com as vozes que cantavam, porque as vozes cantavam sobre mim.»
Assim começa o novo romance assombroso de Anne Rice, um thriller sobre anjos e assassinos, que nos conduz novamente aos mundos obscuros e perigosos de tempos passados. Anne Rice leva-nos para outros domínios, desta vez para o mundo de Roma no século XV, uma cidade de cúpulas e jardins suspensos, torres altas e cruzes por debaixo de nuvens sempre em mudança; colinas familiares e pinheiros altos… de Miguel Ângelo e Rafael, da Sagrada Inquisição e de Leão X, segundo filho de um Medici, dissertando sobre o trono papal… E nesta época, neste século, Toby O’Dare, antigo assassino por ordem do governo, é convocado pelo anjo Malquias para resolver um terrível crime de envenenamento e para procurar a verdade sobre a aparição de um espírito irrequieto — um diabólico dybbuk. O’Dare em breve se vê envolvido no seio de conspirações negras e contra-conspirações, rodeadas por uma ameaça sombria e ainda mais perigosa, porque o véu do terror eclesiástico a cobre. Enquanto embarca numa viagem de expiação, O’Dare é ligado ao seu próprio passado, com assuntos claros e obscuros, ferozes e ternos, com a promessa de salvação, e com uma visão mais profunda e rica do amor.

Anne Rice é uma autora consagrada de diversos best-sellers na área da literatura de fantasia e gótica. Entre êxitos como A Rainha dos Malditos e A Hora das Bruxas, alcançou a notoriedade com Entrevista com o Vampiro, um clássico que redefiniu a literatura de vampiros e foi adaptado ao cinema por Neil Jordan.


O tempo do Anjo #1
Os Cânticos do Serafim
Anne Rice
Obras de Anne Rice
Páginas: 208
PVP: 21,71€

Sinopse:
Toby O’Dare é um assassino a soldo com fama no submundo do crime. Numa teia de pesadelo e de missões letais, é um homem sem alma e sem nome, às ordens de um misterioso mandante. Quando um dia se cruza com um estranho ser, um serafim, Toby O’Dare terá de escolher entre salvar ou destruir vidas. E ele, que sonhara em tempos ser padre, viaja no tempo até ao século XIII, em Inglaterra, tempos de inquietação e trevas onde judeus são acusados de assassinatos rituais e crianças desaparecem em circunstâncias misteriosas. O Tempo do Anjo, um thriller metafísico sobre anjos e assassinos, marca o regresso de Anne Rice como mestra na criação de histórias que cativaram leitores de várias gerações.