Friday, 31 August 2012

Salvem os golfinhos!


Esta semana iniciei no blogue uma votação, que se alastrou para o Facebook. Após ter lido algumas das críticas que andei a fazer (I regret nothing, by the way), comecei por questionar-me se não sou demasiado dura. Tudo bem, não sou uma pessoa que usa e abusa dos adjectivos nas críticas (nem gosto), contudo sempre que leio um livro tenho em atenção uma série de parâmetros. Não acredito que os autores beneficiem de críticas moles, povoadas de adjectivos ocos, onde muitas vezes nem os próprios sabem o que aquilo significa. Sempre pensei que estava a ajudar os autores com as críticas, aliás estava sempre a tentar ver o melhor e o pior, e julgava eu que se o livro não tinha nada de positivo (ou quase), não era eu que tinha de esgaravatar a crítica com elogios, quando este não os merecia.Sempre pensei que os elogios seriam para os livros que mereciam, aqueles que deixam marca, para quê gastar em algo que só serve para elevar o ego? Ou pior, para quê ter um blogue se este não se distingue do resto da blogosfera opinativo-literária?

No meio deste emotional breakdown literário decidi perguntar aos leitores se achavam que eu deveria amainar as críticas. Enquanto autora não entendo muito bem a questão do ego. De vez em quando lá releio o que escrevi há semanas e não consigo evitar o riso com algumas pérolas. Não sou nenhum Alberto Caeiro, não escrevo bem à primeira! Por isso gosto de críticas: sejam elas positivas ou negativas, aproveito tudo! Julgo ficar mais irritada comigo mesmo quando me dizem para reescrever certas partes, não por estar pobre, mas sim porque fico com a sensação das voltas trocadas. No entanto, isto acontece com manuscritos, work in progress, não devia de acontecer em livros com cunho de editoras profissionais onde apresentam estruturas narrativas com défices, autores que arruínam a pontuação (do tipo colocar vírgulas antes de um predicado de sujeito, ou inventar apostos, que não cumprem as funções de um aposto). Tudo bem, penso eu, há gralhas e gralhas, de vez em quando também me escapam coisas. Mas quantas pessoas leram o livro? Só três? Duas? Três pessoas e escapou-lhes erros de narrativa, estrutura da história? É aqui que costumo enervar-me durante as leituras e nas críticas no blogue. Então pensei que tomar três-cinco Xanaxs antes de cada crítica. 

Até que vocês apareceram e revelaram que não queriam: 18 pessoas pediram para o blogue se manter como está, 1 pessoa pediu para amainar o tom e 2 pessoas quiseram a abolição da morte dos golfinhos!

A verdade é que irei manter as críticas, embora de uma perspectiva mais estruturada, sem saber se as pessoas de facto lêem o que está escrito. Durante algum tempo questionei-me se o blogue ficaria mais propenso a mais visitas se o tom fosse mais moderado e as críticas menos extensas. Durante algum tempo questionei-me se deveria fechar o blogue e não me chatear mais com as críticas. Lia os livros, colocaria a cotação no Goodreads e estava a andar. 

Mas não! O vosso sofrimento (de ler as minhas críticas) e o meu (de ler certos livros) ainda não terminou. 
A verdade é que com as novas parcerias que se têm criado não esperem qualquer alteração. O processo é simples quando se forma a parceria: NÓS escolhemos os livros que nos suscitam curiosidade. Se houver um livro que ache merecedor de críticas, claro que o irei pedir e fazer a recensão.

Brevemente haverá passatempos normais, passatempos especiais, novos temas do trimestre (este foi uma miséria, I know), novos livros e a cooperação de uma pessoa muito especial para mim: A Amiga da Onça! Depois de ser devidamente apresentada no blogue, a Amiga da Onça irá fazer críticas ou quickies dos mais diversos livros, enquanto eu (je, moi) irá continuar pelas suas divagações literárias, sempre à procura de novos talentos (the REAL ones, not those fakes who can't even ponctuate!)

E, claro, um grande obrigado aos cem visitantes por dia que lêem o que coloco aqui! Tudo o que faço é para vocês e é sempre bom sentir que o nosso trabalho é apreciado. Aos autores, cujas obras disse menos bem, não se deixem ir abaixo, todos temos que aprender e não é vergonha nenhuma admitir que temos de aprender a escrever, a estruturar história e planear. Os autores devem sentir vergonha quando pensam que são prima-donas, que sabem tudo. Humildade na escrita e humildade nas críticas (desconfiem sempre das palmadas nas costas).

Por isso, em último lugar: salvem os golfinhos :(


Thursday, 30 August 2012

Os vampiros na dinastia Tudor

Existem muitas histórias boas que começam com o “quando eu...”, bem esta começa mais ou menos assim (a minha, não a do livro). Quando eu não tinha trabalho que nem uma escrava, e não aceitava todos os projectos estilo madre Teresa tinha tempo para ler livros... Muitos livros. Vi este livro online (já nem sei onde) e pensei olha Tudors e vampiros... Que giro, quando não tiver mais nada que fazer da vida, irei ler. Bem numa tarde pseudo-chuvosa de Novembro, encontrei-me efectivamente sem mais nada para fazer então comecei a ler. 

A minha versão da sinopse:


Mulher mais ou menos boa é descendente de uma família de druidas, que juraram proteger os sucessivos reis da ameaça dos vampiros. Chegamos ao tempo do Henrique VIII e embora a promessa tenha sido quase esquecida, nada melhor do que uma série de mortes para avivar a memória.


O rei encontra-se em perigo e a descendente da família dos druidas é chamada para proteger o rei. Mas calma é assim tão simples? E o que faz um homem tão jeitoso na capa? Ah pois é! Entretanto aparece o tal jeitoso (Sir Christopher Ellis) que não é nada mais do que o druid-slayer e protector dos vampiros. Já sabem onde é que isto vai parar? Os dois desgraçados têm de juntar forças para conseguir proteger o rei e destruir a ameaça, entretanto ainda há tempo para umas cenas picantes e dramáticas. Ele quer beijinhos, ela não quer e ele depois também não! Ele tenta protege-la, o amigo (que é igualmente druida) também gosta da Rosalind e quer conquistá-la. Bem como é óbvio ganha o que conseguir fornicar primeiro a mocinha, pois os seus dotes corporais servirão para ela ficar mais do que rendida. 

O que eu julgo disto tudo?


Bem mas como diria a Teresa Guilherme “Isso agora não interessa nada!" Até porque há sangue, mortes, fantasmas, vampiros, lutas, guerrinhas e é isso que torna (pelo menos até agora) esta série bastante apetecível. A personagem principal oscila um pouco entre o muito trenga e “badass” (quando se lembra que era suposto ser uma Buffy com corpete and she kicks asses) e, para variar, os homens variam entre o idiota (quando têm a mania que vão tomar decisões em nome da Rosalind e ela mete-os no sítio) e o “eu quero um homem como aquele” (quando levam com os pés e ficam românticos). Algumas vezes os homens são carinhosos, outras vezes são chatos e não largam a Rosalind. 


A continuação “Blood of the rose” gira em torno outra vez do casalinho, mas desta vez mete-se as mulheres do Henry ao barulho, especialmente quando uma delas é uma vampira! “Mark of the rose” é supostamente a continuação, mas já que Rosalind está ausente, terão de vir personagens novas (mas continua o homem giro e bom na capa). 

 Em suma, uma série que combina elementos paranormais numa época histórica com passagens eróticas, que é capaz de satisfazer todo o tipo de leitor. Pearce dedicou-se de corpo e alma e nota-se que a série está bem estruturada, com um gosto especial para que o leitor queira devorar tudo o mais depressa possível. Uma série que prova que podemos ter acção, romance e suspense no mesmo livro, sem nunca deixar o leitor ficar mal.

Podem saber mais sobre esta saga no site da autora:

Novidades ASA: romance para Setembro

O AROMA DAS ESPECIARIAS 
Joanne Harris 
(10 Setembro) 
Vianne Rocher recebe uma estranha carta. A mão do destino parece estar a empurrá-la de volta a Lansquenet-sur-Tannes, a aldeia de Chocolate, onde decidira nunca mais voltar. Passaram já 8 anos mas as memórias da sua mágica chocolataria. La Céleste Praline são ainda intensas. A viver tranquilamente em Paris com o seu grande amor, Roux, e as duas filhas, Vianne quebra a promessa que fizera a si própria e decide visitar a aldeia no Sul de França. À primeira vista, tudo parece igual. As ruas de calçada, as pequenas lojas e casinhas pitorescas… 



DUAS VIDAS 
Jessica Thompson 
(17 Setembro) 
Esta é quase uma típica história de amor. Quando os olhares de Sienna e Nick se cruzam, poderia ter sido amor à primeira vista... se Sienna não tivesse resistido com todas as suas forças. Se a intensidade dos olhos de Nick não a tivesse intimidado, levando-a a pensar de imediato: Estes olhos. Não. Te. Deixes. Levar. Por. Eles.





ESPERO POR TI 
Bárbara Norton de Matos 
(24 Setembro) 
Carminho é uma atriz de sucesso; está habituada a ser o centro das atenções, todos os olhos estão postos nela. Mas há dias em que preferia ser desconhecida, como agora, que tem um segredo cada vez mais difícil de esconder. Está grávida. E não sabe quem é o pai. No momento em que mais precisa de estar consigo mesma, ela é notícia em todas as revistas, alvo de todas as perseguições.




PERIPÉCIAS DO CORAÇÃO 
Julia Quinn 
(24 Setembro) 
A sensata Kate Sheffield está decidida a encontrar para a sua meia-irmã Edwina um marido de reputação impecável. Mal ela sabe que o visconde Anthony Bridgerton já traçou um plano… que inclui a belíssima jovem! E ele não está habituado a ser contrariado… Embora Anthony seja o solteirão mais cobiçado da temporada, a sua reputação de mulherengo perturba Kate. Ela terá de agir rapidamente, pois Edwina vê com muito bons olhos os avanços do visconde. Mas Edwina fez uma promessa que não está disposta a quebrar: nunca casará sem a bênção de Kate.

Sunday, 26 August 2012

Não há condições!

Não há condições para uma crítica fazer o seu trabalho! Eu bem que quero acabar de ler o Flowers for Algernon, mas aquilo é tão bom que uma pessoa quer fazer render o peixinho, ou melhor, o rato! De que é que estou à espera para dar 5 estrelas no Goodreads?



Miss Kinnian says a period is punctuation too, and there are lots of other marks to learn. I told her I thought she meant all the periods had to have tails and be called commas. But she said no. She said; You, got. to-mix? them! up: She showd? me" how, to mix! them; up, and now! I can. mix (up all? kinds of punctuationin, my. writing! There" are lots, of rules; to learn? but. Im' get'ting them in my head: One thing? I, like: about, Dear Miss Kinnian: (thats~ the way? it goes; in a business, letter (if I ever go! into business?) is that, she: always; gives me' a reason" when-I ask. She"s a genius!


April 18-1 found out what a Rorschach is. It's the test with the inkblots, the one I took before the operation. As soon as I saw what it was, I got frightened. I knew Burt was going to ask me to find the pictures, and I knew I wouldn't be able to. I was thinking, if only there was some way of knowing what kind of pictures were hidden there. Maybe there weren't any pictures at all. Maybe it was just a trick to see if I was dumb enough to look for something that wasn't there. Just thinking about it made me sore at him.

Friday, 24 August 2012

Olhó livrinho baraaatinho!

Esta gente só me prega estas partidas quando estou sem dinheiro, tesa qual carapau!

A lista é tão grande, que decidi colocar aqui os mais baratos e os que valem MESMO a pena! Tipo, go read, now! (Onde está o meu chicote?)


Na noite de 13 de Dezembro de 1943, Primo Levi, um jovem químico membro da resistência, é detido pelas forças alemãs. Tendo confessado a sua ascendência judaica, é deportado para Auschwitz em Fevereiro do ano seguinte; aí permanecerá até finais de Janeiro de 1945, quando o campo é finalmente libertado. Da experiência no campo nasce o escritor que neste livro relata, sem nunca ceder à tentação do melodrama e mantendo-se sempre dentro dos limites da mais rigorosa objectividade, a vida no Lager e a luta pela sobrevivência num meio em que o homem já nada conta. Se Isto é um Homem tornou-se rapidamente um clássico da literatura italiana e é, sem qualquer dúvida, um dos livros mais importantes da vastíssima produção literária sobre as perseguições nazis aos judeus.

Se isto é um homem| Editorial Teorema| 9,89€


A existência de F. Scott Fitzgerald coincide literariamente com os dois decénios que separam as duas guerras, repartindo-se entre a América onde nasceu, numa pacata cidade do Middle West, no Minnesota, e a França, onde viveu durante vários anos com a família. O seu nome evoca-nos uma geração que associamos à lendária idade do jazz, vertiginosa e fútil. Fitzgerald pertenceu a essa geração, foi um dos seus arautos. A sua vida tão precocemente visitada pela fama, e tão cedo destruída, é a carne e o sangue de que é feita a sua obra. O Grande Gatsby é o seu maior romance, talvez porque nele se fundem com rara felicidade essa matéria-prima, a sua própria experiência de vida, e uma linguagem de grande qualidade poética.



O grande Gatsby | Editorial Presença| 7,63€

1984 oferece hoje uma descrição quase realista do vastíssimo sistema de fiscalização em que passaram a assentar as democracias capitalistas. A electrónica permite, pela primeira vez na história da humanidade, reunir nos mesmos instrumentos e nos mesmos gestos o trabalho e a fiscalização exercida sobre o trabalhador. O Big Brother já não é uma figura de estilo - converteu-se numa vulgaridade quotidiana.

1984 | Antígona | 11,20€






"«Um tempo múltiplo. Labiríntico. As histórias das sociedades humanas. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro de 1935. Fica até Setembro de 1936. Uma personagem vinda de uma outra ficção, a da heteronímia de Fernando Pessoa. E um movimento inverso, logo a começar: ""Aqui onde o mar se acaba e a terra principia""; o virar ao contrário o verso de Camões: ""Onde a terra acaba e o mar começa"". Em Camões, o movimento é da terra para o mar; no livro de Saramago temos Ricardo Reis a regressar a Portugal por mar. É substituído o movimento épico da partida. Mais uma vez, a história na escrita de Saramago. E as relações entre a vida e a morte. Ricardo Reis chega a Lisboa em finais de Dezembro e Fernando Pessoa morreu a 30 de Novembro. Ricardo Reis visita-o ao cemitério. Um tempo complexo. O fascismo consolida-se em Portugal.» (Diário de Notícias, 9 de Outubro de 1998)"

O ano da morte de Ricardo Reis | Caminho | 11,83€

Um belo dia, Joseph K., um bem sucedido gerente bancário, é subitamente preso no seu próprio quarto, sem saber porquê nem por quem. Vê-se então envolvido num labiríntico e absurdo processo que decorre secretamente algures nas secretarias instaladas nos sótãos e é conduzido por juízes menores, que têm a mera incumbência de o inquirir.

O processo | Assírio & Alvim | 12€






«Shakespeare mostra desde as primeiras palavras de Macbeth, que o seu herói é vítima de uma agressão tão difícil de combater como pesada de consequências. Ele era, dizem-nos, a lealdade, a coragem, mas eis que as forças do mal decidem ali, diante de nós, sobre o próprio palco, implicá-lo num plano que o ultrapassa, já que se trata nem mais nem menos que do destino de uma dinastia que está ainda no poder na Escócia e em Inglaterra quando a peça é escrita.»

Macbeth | Relógio D'Água | 8,83€





Agora vão lá comprar estes livrinhos e boas leituras!

Thursday, 23 August 2012

A lady of resources...

“Her Own Devices” está como a água para o vinho do volume anterior. Se o primeiro livro da saga não é carne, nem peixe, neste segundo volume a autora assume uma identidade steampunkiana, completamente dedicada ao vapor e onde a personalidade de Claire está ao rubro.


 Muito mais independente, materna e respondona, Adina traz-nos um mundo com mais vapor, mais invenções e uma trama romântica que se adensa. A personalidade das crianças evidencia-se, tal como o de Claire que se torna mais mulher e adulta. As duas personagens masculinas que “lutam” por Claire mexem na cabeça do leitor. Não sabemos quem vai ganhar, mas torcemos por um que saibamos que irá dar um futuro de aventura e digno, longe da realidade (mas isto é punk ou quê?). 


 A nível de vapor mesmo, temos uma máquina que Andrew está a construir, cujo ambiente nos transporta para o século XIX e é impossível não imaginar algo retirado de um livro de Dickens. A máquina é o instrumento que Adina criou para não só apimentar a trama e fazer charactertwists (nem tudo é aquilo que parece), como ainda instituir no livro elementos que faltavam no anterior. 

 Este volume aproxima-se mais do ideal punk de Gail Carriger do que o anterior e deixa para trás todas as memórias do primeiro volume, abrindo a porta para um próximo com um teor quiçá mais exótico e mais perto de Priest. O fim deste volume levará às lágrimas todos os leitores, especialmente quando o terceiro livro da série só chega em Outubro.

Crítica publicada na Nanozine nº6

Wednesday, 22 August 2012

Quickies 5: Vampiradas!


Antes de começar a quickie vamos esclarecer três coisas:
1 - Eu sabia que este 1º volume era uma cópia descarada do Vampire The Masquerade;
2- Já tinha lido outras críticas que diziam que o livro era mau;
3- Como sou masoquista decidi ler e tirar as minhas conclusões!

Tendo isto em mente, posso dizer que:
1 - A história é atabalhoada carregada de infodumps e repetições, uma confusão pegada que não se entende! Culpo o autor por não ter planeado a história e ter escrito tudo ao sabor do vento. Culpo ainda mais o editor que pegou nisto e decidiu publicar como está.

2- O prólogo é TUDO o que não se deve fazer num livro. Misturar infodump e meter setting sem ter nada a ver com a história/acção ou personagens: big No! No. Só mostra que temos muito que aprender e ler uns livrinhos de escrita não faz mal a ninguém... mas whatever!

3 - As personagens não têm construção, são de cartão (culpo o Ser Impuro do DelMoona, como a categoria mais irritante que existe à face da terra depois da banhada da Inner Goddess da James).
O DelMoona é emo, chato e Mary Sue (ele é perfeito, ele é honesto, está destinado a ser grande e toda a gente gosta dele no livro - Eu quero é pegar numa bala de prata e enfiar-lhe no coração);
A Lília é outra Mary Sue (perfeita, um anjo e em menos de um parágrafo já estão na cama e ela já sabe que ele é um vampiro);
O Alexander é o pior vilão de sempre: não se sabe porque é que ele mata ou ataca a Lília (because fuck you, that's why). Sabemos que ele é corrupto e por isso temos de acartar com isso cegamente, sem que nos sejam dado provas. O autor não se dignou a sequer pensar que precisava de um bom vilão! Ai filho, tens muito joguinho para jogar se queres ter um vilão bom!

O resto das personagens são forgetable/chatas/quero matá-las a todas e prefiro mil vezes o Louis da Anne Rice.

4 - A escrita regista, por momentos, pontos positivos devido à evolução do registo de língua. Contudo ainda apanhei umas frases jeitosas e cito: "Eu abracei-a, olhando a Lua e sem saber o que dizer... «Porque, acima da tua maldição, és um Portador do Coração Sagrado...» disse-me a Lua sorrindo em Quarto Crescente."
Ora bem, vamos lá dissecar esta frase sem haxixe no corpo!
Primeiro: a lua fala?
Segundo: Portador de quem, quando, como, onde... why?
Terceiro: A lua fala e depois sorri?
A sério, não fumem erva enquanto escrevem, eu sei que o Fernando Pessoa andava no ópio... mas há tanta coisa errada numa só frase, que o meu cérebro recusou-se a assimilar mais informação!

5 - As prolepses de 200 anos em pouco mais de simples parágrafos deviam de ser abatidas a tiro, independentemente do autor.

6 - Quis atirar o livro contra a parede, mas como sou crente, irei ler o 2º... oh boy! Culpo o mundo por estar contra mim e querer ver-me sofrer!

And last but not least, se isto fosse uma fanfiction de Vampire Masquerade apoiava o autor e apontava possíveis falhas, como está publicado como Literatura... errr não!




Nightlight é uma paródia ao Twilight, muito leve, com pouco humor e muita sátira e non-sense. Tem como aspecto positivo o facto de ser curto, ao contrário do Twilight que é enorme. Gostaria de ver um humor mais inteligente (as saudades dos Monthy Python), mas acho que ninguém escreve este tipo de livros com o intuito de fazer nenhuma obra prima. Basicamente depois de ler lido "Memórias de um vampiro" queria algo com vampiros que me fizesse rir e não cortar os pulsos.


Belle Goose falls in love with the mysterious and sparkly Edwart Mullen. Belle arrives in Switchblade, Oregon looking for adventure, or at least an undead classmate. She soon discovers Edwart, a super-hot computer nerd with zero interest in girls. After witnessing a number of strange events - Edwart leaves his hash browns untouched at lunch.

Tuesday, 21 August 2012

Ode to a Nightingale/ ode a um rouxinol

Muitas vezes dizem-me que nenhuma obra é perfeita... Bem este poema mostra bem o que defino de perfeição na literatura!

Ode to a Nightingale
John Keats (1819)



My heart aches, and a drowsy numbness pains 

    My sense, as though of hemlock I had drunk, 
Or emptied some dull opiate to the drains 
    One minute past, and Lethe-wards had sunk: 
'Tis not through envy of thy happy lot, 
    But being too happy in thine happiness, - 
        That thou, light-winged Dryad of the trees, 
                In some melodious plot 
    Of beechen green and shadows numberless, 
        Singest of summer in full-throated ease.


O, for a draught of vintage! that hath been 
    Cool'd a long age in the deep-delved earth, 
Tasting of Flora and the country green, 
    Dance, and Provençal song, and sunburnt mirth! 
O for a beaker full of the warm South, 
    Full of the true, the blushful Hippocrene, 
        With beaded bubbles winking at the brim, 
                And purple-stained mouth; 
    That I might drink, and leave the world unseen, 
        And with thee fade away into the forest dim:


Fade far away, dissolve, and quite forget 
    What thou among the leaves hast never known, 
The weariness, the fever, and the fret 
    Here, where men sit and hear each other groan; 
Where palsy shakes a few, sad, last gray hairs, 
    Where youth grows pale, and spectre-thin, and dies; 
        Where but to think is to be full of sorrow 
                And leaden-eyed despairs, 
    Where Beauty cannot keep her lustrous eyes, 
        Or new Love pine at them beyond to-morrow.


Away! away! for I will fly to thee, 
    Not charioted by Bacchus and his pards, 
But on the viewless wings of Poesy, 
    Though the dull brain perplexes and retards: 
Already with thee! tender is the night, 
    And haply the Queen-Moon is on her throne, 
        Cluster'd around by all her starry Fays; 
                But here there is no light, 
    Save what from heaven is with the breezes blown 
        Through verdurous glooms and winding mossy ways.


I cannot see what flowers are at my feet, 
    Nor what soft incense hangs upon the boughs, 
But, in embalmed darkness, guess each sweet 
    Wherewith the seasonable month endows 
The grass, the thicket, and the fruit-tree wild; 
    White hawthorn, and the pastoral eglantine; 
        Fast fading violets cover'd up in leaves; 
                And mid-May's eldest child, 
    The coming musk-rose, full of dewy wine, 
        The murmurous haunt of flies on summer eves.


Darkling I listen; and, for many a time 
    I have been half in love with easeful Death, 
Call'd him soft names in many a mused rhyme, 
    To take into the air my quiet breath; 
Now more than ever seems it rich to die, 
    To cease upon the midnight with no pain, 
        While thou art pouring forth thy soul abroad 
                In such an ecstasy! 
    Still wouldst thou sing, and I have ears in vain - 
        To thy high requiem become a sod.


Thou wast not born for death, immortal Bird! 
    No hungry generations tread thee down; 
The voice I hear this passing night was heard 
    In ancient days by emperor and clown: 
Perhaps the self-same song that found a path 
    Through the sad heart of Ruth, when, sick for home, 
        She stood in tears amid the alien corn; 
                The same that oft-times hath 
    Charm'd magic casements, opening on the foam 
        Of perilous seas, in faery lands forlorn.


Forlorn! the very word is like a bell 
    To toll me back from thee to my sole self! 
Adieu! the fancy cannot cheat so well 
    As she is fam'd to do, deceiving elf. 
Adieu! adieu! thy plaintive anthem fades 
    Past the near meadows, over the still stream, 
        Up the hill-side; and now 'tis buried deep 
                In the next valley-glades: 
    Was it a vision, or a waking dream? 
        Fled is that music: - Do I wake or sleep?

Novidades ASA (Tiago Rebelo)

Tiago Rebelo conta-nos as aventuras de um oficial português em Angola, nos finais do século XIX, nos conturbados anos que se seguiram ao Ultimatum britânico, uma época em que a coroa portuguesa se debate com extremas dificuldades militares no interior da colónia.

Num universo de ficção e veracidade histórica acompanhamos a história de sobrevivência do jovem tenente Carlos Augusto de Noronha e Montanha, um antepassado do escritor, que é destacado para algumas das operações mais difíceis no interior de Angola, e o seu romance impossível com Leonor, a filha do governador, rebelde e determinada.

Intensamente apaixonados vêem, no entanto, a sua relação amorosa comprometida por conflitos de interesses que opõem a família de Leonor ao tenente Montanha.

Uma reedição da ASA.

Nunca li nada do senhor, mas devido ao desafio de ler mais em português, vou pegar nele (não no senhor que deve ser pesado), mas no livro!

Friday, 17 August 2012

Quickies... perdi o número

Demência
Célia Loureiro
Editora: Alfarroba
Páginas: 400

Sinopse:
No seio de uma aldeia beirã, Olímpia Vieira começa a sofrer os sintomas de uma demência que ameaça levar-lhe a memória aos poucos. A única pessoa que lhe ocorre chamar para assisti-la é a sua nora viúva, Letícia. Mas Letícia, que se faz acompanhar das duas filhas, tem um passado de sobrevivência que a levou a cometer um crime do qual apenas a justiça a absolveu. Perante a censura dos aldeões, outrora seus vizinhos e amigos, e a confusão mental da sogra, Letícia tenta refazer-se de tudo o que perdeu e dos erros que foi obrigada a cometer por amor às filhas. O passado é evocado quando Sebastião, amigo de infância de Olímpia, surge para ampará-la e Gabriel, protagonista da vida paralela que Letícia gostaria de ter vivido, dá um passo à frente e assume o seu papel de padrinho e protector daquelas três figuras solitárias…



Não entendo o "hype" (e por hype refiro-me a pessoas darem 5 estrelas e dizerem que o livro é muito bom - Eu gostei do livro a nível pessoas, mas isto não é uma opinião, é uma crítica rápida) deste livro. Ponto. Em todas as outras opiniões as únicas falhas que apontaram foram relativas à incorrecção do português. Contudo, acho que isso é quase o minímo. O livro apresenta algumas incoerências factuais. A estrutura do livro é caótica e embora a autora tenha feito muito "show" este era seguido de um tell. Quando me refiro à estrutura caótica, refiro-me à estrutura mais tradicional. Não há um climax da história e normalmente o leitor está no presente e é enviado para o passado. Esta sucessão de acontecimentos misturada torna-os previsíveis e estraga o efeito surpresa, pelo menos para um leitor mais experiente. Um ponto positivo reside na história. É preciso coragem para escrever sobre temas delicados, mas a estrutura não dá a mão ao leitor. As personagens são do nosso quotidiano, bem que podiam ser qualquer uma da nossa família. A autora utilizou (de forma inconsciente) uma técnica fácil para simpatizar de imediato com a personagem principal. Coloca-se a personagem no fundo da "cadeia alimentar", a personagem tem de estar em dificuldades económicas, sem casa, com filhas, sem emprego e viver de favores. Pessoalmente detesto essa técnica, pelo menos logo do início da narrativa. Porquê? Porque não apresenta nenhum desafio para o leitor. É tão fácil simpatizar com alguém que está em baixo, e odiar aquelas pessoas más que têm prejudice em relação à personagem principal que podemos esquecer outras coisas. O que nos leva aos temas. Os temas são um ponto positivo: Alzheimer, violência doméstica, prejudice, o meio rural fechado e atribulado. A autora tinha mais que espaço de manobra para fazer algo que toca nas pessoas. No geral penso que o livro precisava do toque de um editor. Não de beta readers, mas de editores profissionais de forma a analisar tudo e rever e, muitas vezes fazer o que pessoas não têm coragem, contrariar o autor. Ainda assim, se a Célia estudar escrita pode vir a ter um bom livro de futuro, porque as ideias estão lá, falta apenas consolidá-las.



Adrift on the Sea of Rains
Ian Sales
Formato: Kindle Edition
Páginas: 125 (com glossário)
Editora: Whippleshield Books (26 April 2012)



Sinopse:
A nuclear war has killed everyone on Earth, leaving stranded on the Moon nine astronauts at Falcon Base. With them they have a "torsion field generator", a mysterious device which they hope will find them an alternate Earth which has not succumbed to nuclear armageddon. But once they've found such an Earth, how will they make the trip home? They have one Lunar Module, and that can only carry four astronauts to lunar orbit...

Peguem no sentimento que vos é mais querido: a esperança. Pronto, peguem nisso atirem ao chão, atirem sobre ela várias vezes, pisem-na, esbofeteiam até à exaustão e têm um novo sentimento. O sentimento com que o leitor sai deste pequeno livro de FC. O conceito não é novo, mas a prosa brilhante de Sales faz com que valha a pena.

Goodbye, he tells Falcon Base. Be well, be patient.
It’s been an honour, sir, says Scott. And he sounds
like he really means it.
O meu coração teve um mini-AVC. 

De salientar ainda que a prosa de Sales é das poucas que dão para sentir a solidão e o desespero das personagens.
Embora o texto esteja pejado de siglas, tem no final um glossário, que complementa a leitura,

Wednesday, 15 August 2012

Nova parceria


Depois de contactar a Europa-América, foi estabelecida uma parceria. Disponibilizaram logo um livro do catálogo ao qual escolhi "A morte é um acto solitário" de Ray Bradbury.

Estou um bocado behind nas leituras e na escrita, isto porque ando a fazer vodu, utilizar mézinhas da avó, rezar uns terços para que o State of the art fique completo! Mesmo assim, mal chegar este livrinho, meto mãos à obra!

O meu exercício matinal todos os dias!
Ilustração de Carlos Ruas (cartonista brasileiro). A imagem foi retirada desta tirinha: http://www.umsabadoqualquer.com/nao-era-lenda/



A MORTE É UM ACTO SOLITÁRIO
RAY BRADBURY

SINOPSE:
— Sinto-me terrível. Já alguma vez pensou que algo de horrível vai acontecer, mas não sabe o que é?
Como é que as jaulas dos leões tinham ido parar ao canal, ninguém o sabia. Tal como ninguém parecia recordar-se de como é que os canais tinham ali surgido no meio de uma cidade velha que, de algum modo, caíra sob as ervas daninhas, as ervas que arranhavam todas as noites as portas, juntamente com a areia e os bocados de algas e os resquícios de tabaco dos cigarros lançados ao longo das margens, desde 1910. Mas aqui estavam eles, os canais, e no fundo de um deles, numa corrente de água de um verde escuro e escumada por óleo, os antigos vagões de circo e as jaulas, descamando a sua tinta de esmalte branco e dourado e enferrujando os seus grossos gradeamentos de ferro. Há muito tempo atrás, no início dos anos 20, estas jaulas tinham possivelmente desfilado pelas ruas, como refulgentes tempestades de Verão com animais deambulando no seu interior, leões abrindo as suas bocas e exalando hálitos quentes, cheirando a carne fresca. Parelhas de cavalos brancos arrastavam a sua pompa através de Venice e através dos campos, muito antes dos estúdios da MGM construírem as suas fachadas falsas e montarem um novo tipo de circo, o qual viveria para sempre em imagens cinematográficas. Agora tudo o que restava do antigo desfile terminara aqui.
— A morte – disse a voz por detrás de mim, – é um acto solitário.

SOBRE O AUTOR:


Ray Bradbury, autor-mito com mais de trinta obras, entre as quais as míticas Farenheit 451, Crónicas Marcianas e Cântico à Humanidade, é o mais genial e incontestável contista dos Estados Unidos da América. Com uma escrita marcadamente poética e envolvente, Morte é um Acto Solitário conduz-nos pelo brilho decadente que marca o fim de uma época de ouro — o Cinema Mudo. Um retrato da tristeza e da solidão que atrai a morte em Venice, Califórnia.

Depois da biblía Steampunk, eis The Zombie Bible


What Our Eyes Have Witnessed Stant Litore
Paperback
232 pages
Publisher: 47North
English
8.99£

Sinopsis

Father Polycarp has a Gift. He can bring peace and rest to the restless dead. At his touch, each hungering corpse lies still at last. But to do this, Polycarp must first look into each one's blind eyes and find the remnant of the soul caught within the shambling corpse. He must witness its secrets, its suffering -- all that it loved and feared and regretted in its brief life. Only then can he absolve that soul and set it free. Only then will it cease to walk and feed. But Polycarp has more than the dead to worry about: second-century Rome is bitterly divided. The patricians hope to appease their ancestors by lavishing food upon the tombs of the dead, even as the city’s poor starve in the streets. Blaming the rising of the dead on Polycarp and his followers, they seek his death, certain his rejection of the old ways has left the ancestors restless and starving for flesh. To save the Eternal City, Polycarp will have to stand against the might and corruption of Roman justice and the terrible moaning of the ravenous dead in this captivating installment in Stant Litore’s Zombie Bible series.

Disponível para compra na Amazon



Death has come up into our windows
Stant Litore
Paperback
110 pages
Publisher: 47North
English
6.99£


Sinopsis
Yerusalem City is dying as the king, blind to the starvation and plague ravaging his people, obsessively plans for a Babylonian invasion. Only Yirmiyahu the prophet knows the truth; only he can hear God weeping behind her veil in the Temple. Yirmiyahu knows the barricaded city gates will keep no one out—they will serve only to keep the zombies in. For among the unburied and neglected dead are restless souls who continue to roam the earth, feasting on the living trapped within the city walls. Yirmiyahu’s pleas on behalf of the people only earn him the scorn of the king, who orders him tossed into a dry well. There he is trapped with his memories of the horrors he witnessed aboveground—and with the ravenous dead thrown into the well after him. Fearful that God has abandoned her city, Yirmiyahu wrestles with the hunger of the living and the hunger of the dead as he struggles to hold onto his last vestige of hope. By turns harrowing and inspiring, the first book in Stant Litore’s gripping Zombie Bible series initiates a dark retelling of traditional biblical tales that will haunt readers long after the last page has been turned.

Disponível para compra na Amazon

Morreu Harry Harrison

Morreu Harry Harrison, escritor de Ficção Científica americano (1925-2012), criador do anti-heroi The Stainless Steel Rat.


Aqui fica um pedaço de informação retirada da Wikipedia (à falta de melhor texto em português)


Before becoming an editor, Harrison started in the science fiction field as an illustrator, notably with EC Comics' two science fiction comic books, Weird Fantasy and Weird Science. He has used house names such as Wade Kaempfert and Philip St. John to edit magazines, and has published other fictions under the names Felix Boyd, Leslie Charteris, and Hank Dempsey (but see Personal Life below). Harrison also wrote for syndicated comic strips, creating the Rick Random character. Harrison is now much better known for his writing, particularly his humorous and satirical science fiction, such as the Stainless Steel Rat series and the novel Bill, the Galactic Hero (which satirises Robert A. Heinlein's Starship Troopers).

Em português temos pela colecção Argonauta (podem adquirir os livros a 1€ nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto):

Bill o Herói Galáctico 1987 Livros do Brasil
Mundo-Nosso 1991 Livros do Brasil
A Praga do Espaço 1988 Livros do Brasil
Nas Nossas Mãos As Estrelas 1987 Livros do Brasil

e pelas Edições Grádiva: A Oeste do Éden.

Podem ainda consultar a Bibliowiki portuguesa dedicada ao autor: http://bibliowiki.com.pt/index.php/Harry_Harrison

Sunday, 5 August 2012

Pausa antes das férias

Deixo aqui não só a lista desta semana (muito ambiciosa), como ainda um novo passatempo (não neste blogue, mas no blogue The Paper and ink).


E aqui fica o desafio lançado pela Joana Cardoso!


Caras lindas!! Quem gostaria de ganhar uma sessão fotográfica inteiramente...grátis??? Pois é, se gostariam de ganhar uma sessão fotográfica,comigo mesma,continuem a ler para saberem mais. Gostaria de deixar claro desde já que o concurso está aberto apenas a território nacional e estou apenas disponível para deslocações dentro da área do Porto (e ainda Braga,Espinho,talvez Aveiro,e logo veremos mais...espero que percebam).

Eu gostei da parte do grátis, por isso não custa tentar! Para mais informações, consultem o blogue: http://thepaperandink.blogspot.pt/2012/08/passatempo-joana-cardoso-photography.html

Thursday, 2 August 2012

Um Cappuccino Vermelho

Um Cappuccino Vermelho
Joel G. Gomes
Edição de autor
Páginas: 260

As pessoas que conhecem Ricardo Neves dividem-se em dois grupos: os que o conhecem como autor de policiais e os que o conhecem como assassino profissional. Ricardo sempre cuidou para que estas duas facetas da sua vida não misturassem. Tudo se complica quando recebe uma lista de alvos demasiado próximos do seu mundo de escritor. A colisão torna-se inevitável e Ricardo não tem como a impedir.


Um livro que ainda não é um livro, mas sim um manuscrito. São raros os livros que tenho apanhado para ser beta-reader que estão verdadeiramente terminados. Escrever um livro é um processo longo e enquanto escritores somos os piores críticos de nós próprios.

Este livro peca por ser algo que não é. É um policial com alguma crueldade, contudo o autor sufoca o leitor com todas as informações. A velocidade dos acontecimentos leva a que o leitor se sinta perdido numa história pouco original. O prólogo deveria lançar o leitor para o mundo, no entanto apenas serve para confundir o leitor ainda mais. Porque é que Ricardo se tornou um assassino, qual o background dele: se até mais de metade do livro não sabemos isso... citando os Metallica: nothing else matters. A história relembra a série “Castle” ao contrário: em vez de ser um escritor que ajuda a polícia é ao contrário, o assassino que é um escritor (e for God sake como é que um assassino consegue matar, sem nunca ninguém descobrir? É impossível ele ser assim tão bom, é humano –after all.) Uma série de coincidências deita por terra qualquer credibilidade da história. Ok, é ficção, I get it, mas parece tudo demasiado bem feito para que a personagem caia em situações e cometa erros, quando supostamente ele é bom naquilo que faz. Não podemos meter os nossos heróis com burricite aguda para fazer a história avançar.

A acção é pouca e quebrada. Por exemplo:

“Se tivesse tempo, talvez comesse uma sopa. Talvez. Por ora, programara vinte minutos para aquecer uma pizza no microondas, tomar contacto com a lista enquanto comia e preparar as coisas para começar o serviço. Levantou-se do sofá e caminhou até à cozinha. Abriu o frigorífico e tirou de lá uma pizza. Queijo, cogumelos, fiambre e ananás eram os ingredientes mencionados na embalagem; isso e mais uns compostos e reguladores que ele não sabia para que é que serviam. Rasgou o invólucro de plástico que protegia a pizza das impurezas do ar e das demais superfícies e colocou-a no prato giratório do microondas.

Seis minutos era o tempo indicado na embalagem. Durante esse período deixou-se ficar em frente ao microondas, sujeitando-se às suas radiações. Agradava-lhe observar o efeito das ondas de calor no que em breve iria ser o seu almoço. O queijo derretido acompanhava, com o seu borbulhar, os movimentos convulsivos da massa. Era um bailado alimentar que ocorria perante os seus olhos de espectador atento. Os seis minutos estavam prestes a terminar. A campainha tocou, avisando-o de que o almoço estava pronto. Ricardo abriu a porta do microondas, pegou num prato e, socorrendo-se dum garfo e alguma genica, tirou a pizza do prato giratório e passou-a para o outro prato. Com um punhado de orégãos deu um último retoque no quadro. Para acompanhar a pizza escolhera um refresco de café com sumo de laranja e canela. Abriu o envelope com a faca e tirou cinco folhas de cores distintas, contendo o nome, a morada e uma fotografia da pessoa a eliminar, entre outros dados mais ou menos importantes.”


Esta rotina antes de um homicídio leva o leitor a desesperar com um desenvolvimento mais rápido. Quando chega à cena dos homicídios, estas acontecem num ápice, exibindo uma crueldade para o leitor que quer sangue e detalhes.

"Já conseguia ver Zé Drops, mero animal humano, reduzido ao mínimo dos movimentos provocados pelo medo. Via-o ajoelhado no chão, virado para a parede, rezando para o grafitti à sua frente. Como se fosse o vitral de uma igreja. Como se representasse toda a fé que Zé Drops nunca tivera. As suas orações foram interrompidas pela voz forte de Ricardo. “Levanta-te.” Zé Drops engoliu em seco e decidiu obedecer. Levantou-se devagar. Conseguia sentir o cano do revólver encostado ao seu pescoço. Se agisse rápido, talvez conseguisse virar-se, agarrar no revólver com uma mão, e dar um valente murro no focinho do gajo que o estava a ameaçar.

Se.

Zé Drops não era rápido e sabia disso. Os seus reflexos eram péssimos. O seu fim era iminente e ele sabia-o. “Olha para mim.” Disse Ricardo.

Zé Drops virou-se para encarar a cara do seu carrasco. Se a Morte tivesse uma cara seria aquela. Insensível, neutra sem, porém, conseguir esconder um leve sorriso ao fazer o seu serviço. “Não me mates! Por favor! Faço tudo o que tu quiseres!” Zé Drops começou a chorar como o cobardolas que era e Ricardo fez-lhe o check-in para o outro mundo com uma bala no centro da sua grande testa.

A bala penetrou-lhe o crânio. Um buraquinho minúsculo à entrada e buraco enorme à saída, como marca da sua breve estadia. Os miolos de Zé Drops jorraram como confettis do interior da sua caixa craniana para o chão acompanhando a queda do seu corpo. Salpicos reluzentes de sangue deram à cena um ar de festa de noite de fim de ano. Mas em silêncio."


O leitor não consegue sentir terror, nem medo ou angústia.

O que nos leva às personagens. Ricardo é supostamente um assassino frio e calculista, gosta de executar tudo limpo, na perfeição, porém quando é confrontado com uma mulher, esta exerce sobre ele um poder enorme, que o leva a fazer coisas inexplicáveis. As vítimas têm pouco tempo de antena e é tratado através da técnica do infodump e mesmo a personagem principal é impossível simpatizar, devido ao excesso de detalhes sobre a sua rotina. Se o autor tivesse explorado a mente de um assassino, o livro saia a ganhar.

Os momentos mais bem conseguidos são:
- a ligação entre o título e a história; 
- o título e a imagem da capa; 
- algumas informações sobre o café, logo no início, embora estas sejam despegadas da história em si e precisassem de ser integradas ao longo do livro.

Penso que o autor tinha beneficiado de uma leitura e pesquisa aprofundada de várias mentes de assassinos ou da leitura dos grandes mestres de policial: Raymond Chandler, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, um pouco de Edgar Allan Poe e para quem gosta dos mais recentes livros da trilogia Millenium, os nórdicos andam a apostar bastante nos policiais. É uma questão de perder tempo primeiro com os grandes e depois ir até aos portugueses Dennis McShade. O importante é não ir abaixo e tentar melhorar sempre!

Wednesday, 1 August 2012

O teu relâmpago na minha paz

O teu relâmpago na minha paz
Luís Miguel Raposo
Editora: Alfarroba
Páginas: 226
O romance não planeado que o arrebatará na turbulência das letras.
A sinopse é bastante curta para quem vai pegar no livro, mas para quem o acaba de ler, é de alguma forma um bom resumo. 

O ponto forte da prosa de Raposo é a maneira como este combina a prosa com a poesia, o ponto mais fraco é a pontuação e a história em si que é (quase) nula. Este romance tem um tom assumidamente português. Se a história fosse mais forte, teria sido publicado ao lado de valter hugo mãe e José Luís Peixoto. Contudo vamos por partes. 

 A linguagem utilizada está bem aplicada, existem partes onde bebemos as palavras escolhidas por Raposo. Todavia a pontuação é o calcanhar de Aquiles do livro. Existem trechos de poesia onde não é apresentada uma única vírgula, impossibilitando a leitura, e, por outro lado, temos uma prosa quebrada, repleta de pontos finais, que torna a leitura pausada, lenta e aborrecida. De modo a poder inovar é preciso, primeiro, conhecer bem a pontuação e como maleá-la. A ausência de maiúsculas não é difícil de assimilar para quem está habituado, para outros pode-se tornar exigente. 

A história não consta nos pontos fortes. joão pedro é um homem com uma vida normal, com uma relação amorosa “estável”, quando encontra carla, que lhe mete a vida de pernas para o ar... e pronto é isso a história! O excesso do nome de carla, o excesso do eu relacionado com a carla, o que torna um livro de 226 páginas demoroso de ler. 

O que torna este livro único é o cunho pessoal do autor. Quando o lemos, sentimos que estamos a ler algo de diferente. Um livro não é só um amontoado de palavras, mas sim uma história que pode estar bem ou mal contada. Aqui o POV do autor homodiegético prejudica a aproximação do leitor às personagens. Torna-se impossível sentir algo pelas personagens quando tudo nos é contado por joão pedro. As acções de carla, rita e vera são-nos contadas da sua prespectiva, o que condiciona sempre a veracidade dos acontecimentos. Talvez carla seja uma mulher forte e apaixonada, mas pelas palavras do narrador depreende-se apenas o que ele nos decide contar. Quando o autor está de bem com carla, esta tem um efeito positivo nele, quando carla não está nos seus dias, é-nos apresentada como alguém má, uma espécie de anti-heroína. Este factor é redutor para um leitor mais atento e exigente. 

 Em suma, “o teu relâmpago na minha paz” traz um título bonito, um design cativante que beneficiaria de um editor atento e experiente, de forma a contraria o autor em algumas partes. O livro prova que alguns autores portugueses sabem brincar com a linguagem e pontuação. Faltou um danoninho para ser algo espectacular.