Wednesday, 28 March 2012

Guilty pleasures



Mesmo aqueles críticos mesquinhos, chatos que não se calam têm os seus guilty pleasures. Pois é, eu tenho um, neste caso, uma chamada Vivi Anna! Comecei a ler o primeiro volume das Crónicas de Valorian e já vou no 4º livro! Nem acredito que demorei tanto tempo a pegar na saga e agora estou a devorá-la! É verdade que como tenho lido artigos pesados para o meu relatório de estágio não consigo-me concentrar muito na leitura, ou seja preciso de algo light, óbvio, mas que ainda me provoque algum desafio. Uma leitura que consiga emergir durante as viagens e me faça esquecer o relatório! As crónicas de Valorian são perfeitas para isso e ainda que os livros desta autora sejam feitos de altos e baixo não consigo deixar de apontar Vivi Anna como um "guilty pleasure". Os livros não são nada de mais, mas não se consegue parar de os ler. Dêem um desconto que eu preciso de vários, após vários meses a dormir pouco mais que 4 a 6 horas por dia, o descanso é merecido. Já que andamos numa de Guilty pleasures, escrevi eu uma crítica na Nanozine a uma outra série "The tudor Vampire chronicles" da Kate Pearce, onde anunciei que talvez estes livros nunca viessem a ser traduzidos, tais como os da Lisa Kleypas (que tinha um traduzido pela editora O arco de Diana). Dito e feito a Porto Editora lança um livro novo e irá brevemente lançar outro! Agora só falta mesmo a Planeta ganhar coragem e já que tem a Philippa Gregory, também publica a Anya Seton, a 5º Essência publica a Vivi Anna e a Saída de Emergência o Boneshaker da Cherie Priest! Eu era uma pessoa feliz assim, juro-vos que era!



E agora que passei a fase fofinha, a rabugice do dia: Não se esqueçam de assinar a petição contra o encerramento do Clube Literário do Porto! ->LINK AQUI! CLIQUEM!<-

Tuesday, 27 March 2012

A hipotética morte do crítico

Um artigo excepcional no site da PNETliteratura intitulado "A hipotética morte do crítico" (pena é terem mencionado o nome do Chmosky no fim)

O nivelamento do crítico passa por uma tendência de inversão de influência. A hipotética perda de poder do crítico deve-se à modernista inversão de influências, onde o número de leitores afecta o crítico e não o contrário. A partir daqui até se promover o desaparecimento (ou definhamento) do crítico é um passo muito curto. A desconstrução do papel da crítica é o resultado da ânsia de desconstrução derridiana. O facto de a literatura ter vindo a ser institucionalizada (através do sistema de ensino, das academias, clubes, por exemplo) não diminui a presença do crítico, mas antes aumenta a sua responsabilidade O seu discurso chega a leitores mais informados, a leitores com opinião fundamentada e, por isso, o discurso deve ser e pode ser adaptado a um grau superior ao que tinha vindo a ser até ao momento anterior.

Saturday, 24 March 2012

Nanozine nº 5



Mais um número da Nanozine, desta vez com direito a uma crítica minha da saga "The vampire tudors chronicles" de Kate Pearce e ainda a crítica ao livro "A noite de alma" de Sophia CarperSanti por Alexandra Rolo. A capa é da talentosa: Ana Nunes do blog Floresta de livros.
Esta versão para além do pdf, poderá ser ainda adquirida em formato kindle (.mobi) e para os e-readers em geral (.epub).

Nanozine 5 (.mobi)

Friday, 23 March 2012

A bíblia sucinta (se é que isso existe)

The Steampunk Bible:
An Illustrated Guide to the World of Imaginary Airships, Corsets and Goggles, Mad Scientists, and Strange Literature (Capa dura, com muitas imagens)
S. J. Chambers & Jeff VanderMeer
Editora: Abrams
Páginas: 224

Agora que tudo o que seja punk está "in", pressupõe-se uma certa lógica em parar para reflectir o que é que o punk faz no vapor/ electricidade/ solar. Com essa promessa interna de querer saber mais e por fontes mais seguras o que é "steampunk" e de onde vem o "punk", comecei a ler "The steampunk bible", que inicio já por dizer que peca por um motivo. A Bíblia tem 2000 páginas, este livro só tem 224 e metade são imagens (deslumbrantes), mas ainda assim imagens.








O que me levou indirectamente à primeira pergunta: será o movimento de steampunk apenas estético? Quando lemos um livro, a componente visual/ descritiva ultrapassa a componente da narrativa? O livro está bem estruturado: desde as origens do steam mais do que o punk de Jules Verne, passando ainda pelas várias obras que povoam o nosso século (e ainda uma entrevista a Scott Westerfeld porreira), não deixando de parte a moda (um capítulo fascinante sobre moda) e os acessórios adjacentes e ainda pela componente artística visual dos filmes e da arte.





Uma rápida leitura de vários romances característicos do steampunk não convence o leitor mais inexperiente, da definição deste subgénero. Mais uma duvida que se levanta: o punk necessita de definição específica ou o facto de este ser tão livre aumenta o sue encanto e a sua riqueza?
O facto de podermos utilizar a designação de steampunk com zombies, vampiros, senhoras com sombrinhas e não perder o vapor na narrativa? Será que o steampunk paranormal poderá tornar-se mais popular do que a fantasia "steampunkiana"? Em que medida o popular funciona a favor deste género? No final, VanderMeer tem a coragem de questionar sobre o futuro do steampunk que poderá passar a “greenpunk” (tipo hippies mal cheiroso ou não). Contudo foi com um bocado de preocupação que ao ler o último capítulo do livro apercebi-me do atraso no país, que mal tem steampunk em Portugal e os anglo-americanos já estavam a evoluir para algo mais. Se calhar conseguimos apanhar o resto do mundo com as várias ramificações do punk: do steam, para o electro, para o solar e depois para o cyber.



Esta bíblia pouco ortodoxa é um bom guia para o leito mais inexperiente descobrir os alicerces desta sub-cultura, todavia para um leitor mais experiente, ficamos com estas perguntas na cabeça. Queremos saber mais e talvez estas perguntas não apresentam respostas concretas para uma cultura tão recente. Considero a falha mais grave da bíblia (que devia de pecar por ser chata e poder ser uma arma de arremesso extremamente eficaz contra ladrões ou alunos) seja a falta de explicação para com a origem da palavra “punk”. Durante as minhas divagações pensei inicialmente que o punk viria da moda. Ainda que a moda steampunkiana seja descendente do movimento gótico, seria uma hipótese a colocar. Still é um livro que vale a pena, fica bonito na estante, tem capa dura, aguenta porrada e tem muitas imagens a cores e é uma delícia esteticamente. Pode é não satisfazer aqueles que já possuem maior bagagem literária a nível tanto de sub-género, como literário.



Ou seja perguntas a responder:

- de onde vem o punk de todas os prefixos?
- será que poderá haver sexpunk?
- deverá haver uma definição rigorosa do sub-género ou é a liberdade e a elasticidade do mesmo que o torna tão atraente?

Sunday, 18 March 2012

Portuguese writers y u no show don't tell?

Como estou a ler para aí 5 livros em simultâneo e ainda não acabei nenhum (damn you estágio, you were the chosen one, why give me such a hard time?), decidi pelo menos postar a evolução de cada, para fazer uma espécie de ponto da situação!

Vaporpunk
vários autores
Editora Draco


Até agora só li três contos. A minha opinião pessoal para já é meh. Bastante meh. Ok, ok eu estava à espera de algo muito bom, feita "toininha" como aconteceu com o George Martin e a Anne Bishop. Pensamos que vamos ler algo maravilhoso e depois notamos falhas, mas a verdade é que de steampunk mesmo ainda só li um conto e a nível de escrita era bastante confuso. O outro é uma mistela que nem é carne, nem peixe e o último que li é mais solarpunk que vapor. Ainda por cima isto nem se pode considerar contos, alguns são mesmo noveletas, pelo que não há desculpa em dizer "ah são contos, por isso é pequeno..." Alguns autores têm 30 páginas para si. Em 30 páginas conseguem contar uma história decente com pormenores fantásticos, mas para já julgo que ficam aquém da expectativa. Pode ser que o resto melhore um bocadinho e depois na minha crítica consiga explorar mais a fundo cada história.

Escritos dos Ancestrais
Rodrigo McSilva
Editora: Presença


Antes de mais um muito obrigada à Inês Santos do blogue "Portugal Creative" por me ter emprestado o "Justine" do Marquês de Sade e este livro (estás aqui *aponta para o coração*). Comecei a ler ontem no comboio quando ia-me encontrar com a malta do Nanowrimo do Nuorte e a primeira impressão nas primeiras páginas foi "Fixe ele está a dar background mitológico para as pessoas que não sabem muito poderem acompanhar"... pasadas 80 páginas... continua o background até que eu me apercebo de uma coisa: pelo menos até à página 83, isto não é fantasia, mas sim "Myths told as fiction!" Para já não há nada de novo, é simplesmente a mitologia nórdica com diálogos... e a minha reacção mudou logo. O livro é muito exaustivo, expositivo e cansa. Chegamos a um ponto em que lemos na diagonal porque o cérebro não aguenta mais! O que me levou a perguntar "Presença, what the hell is wrong with that cover?" Admiro muito o Tiago da Silva *hands down baby*, mas a sério? Não tem nada a ver com o livro! O que me levou a escrever o título deste post! Porque é que os portugueses fazem sempre "tell" e nunca "show"? É que nem há emoção na escrita, nem na leitura...

Steaming
Vaneesa Barger
Editora: Decadent Publishing Company


O mesmo sentimento que apliquei à noveleta "Lady of devices" aplica-se aqui. Embora este seja efectivamente steampunk, a acção é rápida, sem grandes explicações e com muito por explorar. O vilão está mal construído e a personagens principais são ainda muito superficiais. Pode ser que melhore lá para o fim, mas é pena as pessoas não escreverem mais que 113 páginas com uma história que dá para mais.

O retrato da Biblioteca
Carina de Portugal
*Beta-reading*


Como o livro ainda se encontra em testes, vou aos poucos anotando algumas conclusões. O retrato da biblioteca é uma mistura de low com high fantasy, onde a autora arrisca bastante ao empregar um vocabulário complexo e lírico, que pode não ser acessível ao público geral. Com algumas arestas a limar a nível de personagens (principalmente na principal, uma jovem que lê Divina Comédia aos 16 anos - eu levava a miúda para um hospital para ser tratada). Contudo como ainda pode ser mudado e repensado, nem tudo está perdido e é esta a vantagem principal de não publicar logo o livro. Há mais tempo para reflectir sobre detalhes.

Downspiral - Prelúdio
Anton Stark
*Beta-reading*

Outro livro de steampunk desta vez com a peculiaridade de ser uma mistura entre high fantasy + steampunk (sim porque supostamente o punk seria apenas para o nosso mundo no século XIX). Graças a Deus que este livro não peca pelo "tell not show", para já tem muita acção que prende o leitor e confere um bom ritmo de leitura sem quebras. Como ainda vou a meio a única coisa que poderá melhorar será o espaço temporal, devido ao ritmo alucinante da acção. Para já está a ir muito bem.

Monday, 12 March 2012

Promoção que vale a pena

Obras de Florbela Espanca - Pack Obras de Florbela Espanca Volumes I, II e III
Florbela Espanca
Colecção: Obras de Florbela Espanca
Esta Semana (12 a 18 de Março) 24,99 € (8€/ livro)




Obra Poética - Volume I

Este primeiro volume das Obras de Florbela Espanca inclui os três livros de poesia que, entre outros projetos concebidos pela escritora, não só foram por ela preparados para publicação, mas também conduzidos até à edição que, embora sujeita a contingências, ficou legitimada pela sua vontade de autora: Livro de Mágoas, publicado em 1919, Livro de Soror Saudade, dado a lume em 1923, e Charneca em Flor, que saiu do prelo em Janeiro de 1931, logo após a morte da poetisa.

Obra Poética - Volume II

O segundo volume das Obras de Florbela Espanca inclui a produção literária de Trocando Olhares, o grande caderno manuscrito que engloba 145 textos da produção poética (e três contos) de Florbela Espanca nos anos de 1915, 1916 e 1917, em parte publicada pela autora em periódicos e em parte inédita à data da sua morte; Reliquiae, um conjunto de 28 poemas, sensivelmente da época de Charneca em Flor, coligidos postumamente e publicados pela primeira vez em 1931; e alguns poemas esparsos.

Contos - Volume III

Este terceiro volume das Obras de Florbela Espanca inclui os livros de contos, publicados postumamente - As Máscaras do Destino (1931) e O Dominó Preto (1982) - e ainda em apêndice quatro textos da juventude da autora: «Mamã!» (1907), «A Oferta do Destino» (1916), «Amor de Sacrifício» (1916) e «Alma de Mulher» (1916).

Bem eu já tenho a obra completa, mas para quem não conseguiu ainda completar, é must-have em todas as estantes portuguesas e ainda por cima esta preço!

Sunday, 4 March 2012

Tema do trimestre


Titanomachy – Fall of the Hyperion
Author: Marcin Jakubowski
Software: Photoshop
Source: http://www.balloontree.com/

Durante Março/ Abril/ Maio irei ler e divulgar livros com o tema: Punk! Seja ele com vapor, como electricidade, solar ou greenpunk! O que envolve o "tema do trimestre"?
  • Quickies (críticas rápidas, dolorosas e staright to the point)
  • Novidades & Lançamentos (tanto cá dentro, como lá fora)
  • Autores (novos, velhos, internacionais e nacionais)
  • Reflexões (sobre o tema punk)