Friday, 31 December 2010

Os melhores livros lidos em 2010

Chegamos mesmo ao fim do ano, no total li 61 livros - muitos em inglês e alguns em português (salve-se o alemão em raras excepções) por isso neste top 10 muitos livros bons foram deixados de lado.

#10 The Observations - Jane Harris (2009)
- Pela surpresa que foi descobrir esta nova autora;
- Por ser um livro com temas feministas bons;
- Pelo humor usado e excelente prosa;
(traduzido para português como "Observações" pela editora Presença)

#9 Wildwood dancing- Juliet Marillier (2007)
- Pela maravilhosa forma como Marillier usa a comunicação não-verbal;
- Pela forma original com que a figura dos vampiros foi usada;
(traduzido para português como "Danças na Floresta" pela Bertrand Editora)

#8 The left hand of darkness - Ursula Le Guin (1969)
- Pela grande coragem na desconstrução do "gender";
- Por abordar temas controversos de forma inteligente;
(traduzido para português como "A mão esquerda das trevas" pela editora Presença)

#7 Wide Sargasso Sea - Jean Rhys (1966)
- Pela personagem Antoinette (muito mais que uma personagem);
- Pelos temas feministas e não só (identidade, racismo);
(traduzido para português como "Vasto mar de Sargassos" pela Bertrand Editora)

#6 Memorial do Convento - José Saramago (1982)
- Por mostrar que o povo sempre foi "quem mais ordena";
- Por trazer para Portugal - não só com este livro - um grande orgulho para a literatura portuguesa
(publicado pela Caminho)

#5 Mists of Avalon - Marion Zimmer Bradley (1979)
- Pela audácia de publicar nos anos 70/80 uma das melhores sagas;
- Pelas críticas feitas à Igreja e às mulheres submissas;
- Pelas posições tomadas pela personagem Morgaine face a temas como o destino e o aborto;
(traduzido para português como "As brumas de Avalon" pela editora DIFEL)

#4 A máquina de fazer espanhóis - valter hugo mãe (2010)
- Por criar uma terceira idade maravilhosa e real;
(publicado pela Objectiva)

#3 Der Vorleser - Bernhard Schlink (1995)
- Devido ao tema da culpa e do holocausto;
- Por ser um romance tão polivalente;
- Por ser uma obra intemporal;
(traduzido para português como "O leitor" pelas ediçoes ASA)

#2 The Bloody Chamber - Angela Carter (1979)
- Por ser uma inspiração a nível feminista para tantas escritoras;
- Por encerrar na sua obra décadas de luta das mulheres;
(não está traduzido para português)

#1 Avalon - Anya Seton (1965)
- Por combinar um romance viking com a Idade Média;
- Por ser uma das melhores escritoras de romance histórico e ainda não ter uma única edição em português (tinha de vir a facada);
(não está traduzido para português)

Menção honrosa: Februarreise an den Tejo de Egyd Gstättner
(traduzido para português como "Viagem ao Tejo com Pessoa na Bagagem" pela editora Granito)

Um bom 2011 para todos e boas leituras

Thursday, 30 December 2010

Os melhores livros para serem lidos em 2011 - lançados em 2010

2010 foi um ano em grande, entre crises económicas, FMIs e Festivais para alegrar a malta das tristezas, não tão em alta esteve o ano a nível de literatura. Quando pesquisei livros lançados em Portugal em 2010 raros foram os que saltam à vista, a maior parte são traduções de livros e quando são de portugueses (de Portugal) os preços são de fugir. Contudo preços à parte elaborei uma lista dos melhores livros lançados cá dentro e lá fora, que valeram certamente a pena ler em 2011.

#10: Aphrodite's Hat de Salley Vickers




Aphrodite's Hat foi lançado em fins de Outubro e pela sinopse a coisa promete. Uma colectânea de várias histórias de amor para todos os gostos. Para quem prefere histórias com humor ou histórias de amor tristes, Aphrodite's hat parece se a aposta ideal.
(Sem data de lançamento em Portugal)









#9 Rainhas Medievais de Portugal de Ana Rodrigues Oliveira




Este ano foi muito generoso para com os Historiadores. A editora Esfera do Caos publicou diversos livros de História e considero este o mais curioso. Embora o preço não seja em nada apelativo, para quem goste de descobrir mais sobre as nossas rainhas e do papel importante que a mulher muitas vezes desempenhou. Por vezes aprendemos mais nestes livros no que nas aulas de História.

PvP de 30€







#8 Kraken de China Miéville




Mieville já mostrou que sabe o que quer quando escreveu Perdido Street Station e The City and The City. Esperemos que o Kraken esteja à altura. Para quem gosta de fantasia e de algo diferente a mais recente obra de Mieville é um livro a devorar.








#7 Mataram o Sidónio! de Francisco Moita Flores



É mentira quando dizem que Portugal não tem policiais decentes, ou se calhar até é verdade... Que os portugueses gostam pouco de escrever mistérios é verdade, mas "Mataram o Sidónio" foi um dos lançamentos de 2010. Retomando uma temática da história de Portugal, Moita Flores consegue bem retratar a época com uma escrita simples e eficiente. Já podem largar os calhamaços do Larsson e divertirem-se com CSI's portugueses.








#6 Room de Emma Donoghue




Room foi lançado em Agosto, mas só à um mês tive conhecimento desta obra. A sinopse é suficiente para sabermos que queremos ler este livro asap.

Sinopse em inglês:

It's Jack's birthday, and he's excited about turning five. Jack lives with his Ma in Room, which has a locked door and a skylight, and measures 11 feet by 11 feet. He loves watching TV, and the cartoon characters he calls friends, but he knows that nothing he sees on screen is truly real - only him, Ma and the things in Room. Until the day Ma admits that there's a world outside...




#5 O romance da Bíblia de Deana Barroqueiro




O novo livro de Deana Barroqueiro vem provar que as vozes feministas em Portugal ainda tem muito para se fazer ouvir. Com grandes elogios por parte de Teresa Horta só posso esperar o melhor deste livro.

PvP de 18€90










#4 A máquina de fazer espanhóis de valter hugo mãe




O livro que fez-me pensar como vai ser quando chegar à Terceira Idade e de como os idosos se devem sentir quando são abandonados pela família nos lares. Um livro tocante e magistral. Se o valter hugo mãe daqui a uns anos não ganhar o nobel - está mal.











#3 The Bards of Bone Plain de Patricia A.McKillip





Vencedora de um World Phantasy Award a capa emana Juliet Marillier por todos os poros e como devemos às vezes julgar um livro pela capa, a minha primeira acção maluca de 2011 será comprar The Bards pf Bone Plain (esperemos que tenha só acções ponderadas, pois a pilha de livros para ler não pára de crescer).
(sem data de lançamento em português)







#2 Angela Carter's Book of Wayward Girls and wicked women de Angela Carter




O livro foi lançado em inícios de Dezembro e caiu como uma bomba, não só o título é "Godlike" como aparenta ser tudo o que eu gosto "wicked women" e adivinho uns comportamentos "naughty" para acompanhar. Para quem cansou de ser boa menina, Angela Carter's Book f Wayward girls and wicked women parece ser um bom guia.

(sem data de lançamento em português)







#1 Novas cartas portuguesas de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreto e Maria Velho da Costa




Esta nova edição das novas cartas portuguesas merece ser o melhor lançamento a nível mundial. Depois do escândalo da primeira edição ainda na ditadura, a nova edição prova que as mentalidades conseguem mudar apesar do grande espaço temporal necessário. Graças ao trabalho e esforço por parte de Ana Luísa Amaral, os portugueses e o mundo podem adquirir uma edição esquecida à muito , mas que prova que os portugueses conseguem ser vanguardistas.

Friday, 24 December 2010

Friday, 17 December 2010

Friday, 10 December 2010

Sugestões de Natal II


Este natal não ofereça:
- Livros demasiado "light": do estilo Nicholas Sparks e Margarida Rebelo Pinto. Jogue pelo seguro, existem muitas pessoas que detestam esse tipo de autores;

- Livros cortados a meio: não ofereça livros como "O mago" em que força a pessoa que recebe o livro a ir comprar o segundo para acabar de ler uma história.

- Sequelas: O pior que se pode fazer é dar um livro estilo George R. R. Martin em que se gostar a pessoa terá de gastar pelo menos 100€ ao todo. Ofereça livros que funcionem sozinhos.

Tenha em mente que:

- Nem todos os livros são caros: Existem ainda muitos livros com um preço igual ou inferior a 15€ - aposte nos livros de bolso se souber que essa pessoa anda de transportes.

- Ofereça livros estrangeiros: Se souber que a sua sobrinha/irmã etc. está a aprender inglês existe na secção da FNAC e outras livros para adultos e crianças em inglês. Escolha um com poucas páginas e acaba também por poupar algum dinheiro e estimular a linguagem estrangeira.


Sunday, 5 December 2010

Bela lugosi is brain dead is certainly brain dead

Engraçado como algumas frases fora do contexto parecem bastante engraçadas e às vezes até idiotas, the key my friends lies inside the context. Muito sinceramente começo a achar que o bela lugosi is brain dead está mesmo ele próprio brain dead. De facto começo a achar que tenho de tratar os meus leitores como burros e explicar TUDO! Ora bem vejamos:

O contorcionismo
"Com o meu exemplar debaixo do braço dei uma vista de olhos pela revista […]"

Very funny, indeed... lido à letra... mas na verdade o meu post dizia:

Com o meu exemplar debaixo do braço dei uma vista de olhos pela revista no comboio de regresso ao Porto.



Não sei se o sr. ou sra. do BLIBD está com dificuldades na leituras, mas eu passo a explicar. Para ler uma revista é preciso PEGAR nela e depois sim SENTO-ME no comboio e aí sim LEIO com os olhinhos a dita cuja. Se ninguém entendeu este processo por demais complexo, peço desculpas se não fui bastante explícita quando quis mencionar que li a revista NO COMBOIO, SENTADA, COM OS OLHOS E NÃO COM AS MÃOS.

Adiante:

seu currículo preenchido influenciou certamente a minha leitura, que manteve-se neutra.
De facto o senhor Mancelos tem um currículo invejável, mas apesar de tentar ALIAR o seu currículo ao conto que escreveu, no fim não consegui SIMPATIZAR com o conto. Apesar dos seus estudos superiores pudessem ser uma BOA INFLUÊNCIA, no fim a minha opinião manteve-se neutra OU SEJA nem aqueceu, nem arrefeceu.

Se o sr. ou sra. do BLIBD não sabe ler, temos a "real pena", agora fazer os outros de burros santa paciência, por isso aconselho umas feriazinhas no Hawai, com muitos banhos de sol e longe do computador e de blogs, que isto da Internet está a afectar-lhe o cérebro.

Peço imensa desculpa aos leitores deste blog, pelo momento "snap", mas penso que ninguém gosta quando "gozam" com a nossa cara. Que o blog tenha razão às vezes nas calinadas que mete, tem sim, mas honestly existem outras que não são calinadas, apenas estão fora de contexto. Querem arranjar uma pessoa ou blog para perseguir, do it somewhere else. Gozar quando não têm motivo para tal, só significa que a pessoa ou não tem vida.

Sei que este blog nunca beija "o traseiro" às editoras portuguesas, ou aos autores, como muitos outros. Se digo mal de algum livro ou autor, estou-me a marimbar se é da Caminho ou da Gailivro. Não tenho problemas nenhuns em criticar de uma forma negativa os livros. Este blog mantêm-se afastado de polémicas, discussões e nomes. Se isso incomoda algumas pessoas a ponto de criticarem o que está correcto - temos pena.


Saturday, 4 December 2010

So long brainless zombies!

Boneshaker (1)
Cherie Priest
Editora: Tor books
Páginas: 416
Género: Steampunk

Sinopse: Seattle - século XIX, Leviticus Blue é contratado pelos russos para criar uma máquina de quebrar gelo para desenterrar ouro, assim nasce o Boneshaker, mas algo corre mal. Quando o Boneshaker emerge das profundidades lança um gás, que quando inalado começa a consumir aos bocados partes do corpo, com isso nasce os “rotters”. Passados quinze anos a viúva de Blue, Briar, vive em dificuldades com o seu filho Zeke. O facto de ser a viúva de Blue não ajuda em nada a sua fama e com uma guerra civil, as coisas tornam-se ainda mais difíceis, mas Zeke está decidido a voltar para Seattle e mostrar que o seu pai foi na verdade um herói. Com uma máscara de gás, mapas e uma pistola, Zeke parte para dentro das muralhas onde o gás - blight - se espalha e onde os “rotters” povoam o que resta da cidade. Cabe a Briar partir em busca do seu filho para que ambos saiam vivos da cidade.

Ainda não editado em Portugal, Boneshaker é um livro que promete. Nomeado para um Nebula e um Hugo Award prova que steampunk é um género que tem força suficiente para emergir das sombras para assumir identidade própria num país onde a proliferação do próprio género em que o steampunk está envolvido ainda é nula. As vozes queixam-se que em Portugal, a FC está em coma, contudo também existem faltas de incentivos. Scott Westerfeld já tem uma vasta obra publicada, contudo Boneshaker nem sequer data tem.

A demanda de uma mãe em busca do filho, misturado com zombies e uma Seattle “underground” tecnologicamente avançada constituem os encantos deste primeiro livro da série. Briar carrega o peso de um filho adolescente e de um destino que não foi ela que começou e apesar das personagens não terem uma caracterização directa, através da evolução da história, notamos que Briar fica na mesma. Inicia a sua demanda como uma mãe protectora e cumpre a sua função até ao fim. É Zeke, quem maioritariamente sofre a evolução. Parte como um jovem rebelde com uma intuição para o perigo, para no fim regressar já sabedor de toda a história em torno do Boneshaker e de seu pai. Sublinho também o jeito de Priest para criar uma sociedade nova quase mergulhada na anarquia, onde reina a sobrevivência dos mais fortes. Não pensem que todos os habitantes fugiram da cidade, tal como os gauleses muitos mantiveram-se quase indestrutível e lutam diariamente pela sobrevivência, contando apenas com a blight para fazer "sap". Para melhorar a vida de Briar e dos habitantes de Seattle, os "rotters" são velozes e transformam-se cada vez mais rápido e quando aliciados podem até subir escadas. Os canais e o ambiente claustrofóbico que as máscaras de gás provocam, aumentam a velocidade da narrativa, culminando com um fim aberto, que deixa um sabor agridoce no leitor.

Um bom livro para se iniciar no subgénero de Steampunk ao contrário do “Leviathan” do Westerfeld, onde a prosa é claramente dirigida a crianças, mesmo assim pode não ser para todos, nem para aqueles mais exigente e experientes na área do Steampunk. O segundo livro da série já se encontra disponível.