Wednesday, 28 July 2010

Rapariga com brinco de pérola

Rapariga com brinco de pérola
Tracy Chevalier
Tradução: Ana Falcão Bastos
Editora: Biblioteca Sábado
Páginas: 199




“Rapariga com o brinco de pérola” é um romance histórico aclamado pela crítica, vencedor de um ALA Alex Award, que tem como base um quadro do artista holandes Jan Vermeer com o mesmo nome. Não deverá ser difícil acompanhar o quotidiano que Griet descreve como criada na casa do pintor. A história só se desenrola devido à profundidade das três personagens principais: Griet, Catarina e Jan Vermeer. Griet é muito mais do que uma criada, possuidora de uma sensibilidade às cores e aos tons não tarda até se tornar uma ajuda eficaz ao pintor Jan Vermeer. A teia construída à volta de Griet e Catarina constitui a única falha neste livro. Griet parece-nos talvez perfeita, enquanto Catarina é vista como uma mulher má, contudo se termos em conta que se trata de uma situação narrativa autodiegética, este perfeccionismo será justificado. Aos olhos de Griet ela era perfeita para o seu amo e num ataque pessoal de ciúmes não conseguia ver Catarina como nada mais que uma mulher má cheia de filhos, contribuindo para o aumento das despesas da casa. Catarina é pintada através dos olhos de Griet, tornando-a vulnerável e talvez a personagem mais apetecível. A maneira como Chevalier transforma uma simples pintura num testemunho de uma jovem repleto de símbolos da virgindade, torna o livro apetecível. Desde os brincos de pérola mencionado no título, símbolo de pureza, ao acto de ter de furar as orelhas, podendo ser uma alusão à perda da virgindade até à touca que lhe tapa o cabelo, representando claramente o cabelo como símbolo erótico e altamente sexual. A bata de Pieter salpicada de sangue implica a futura perda de virgindade de Griet. O que salta à vista em “Rapariga com o brinco de pérola” é o subentendido e aí reside a beleza da história.

Monday, 26 July 2010

O livro dos Mortos

O livro dos Mortos
Douglas Preston | Lincoln Child
Editora: Arcádia
Colecção: Arcárdia Thriller
Páginas: 484
Data: 2010
Tradução: Mario Dias Correia



O bom e o mau dos policiais, que têm como base uma saga, para além do acumular de personagens e de situações prévias, temos também o facto de todos poderem ser lidos como isolados. O bom reside no facto de podermos acompanhar a história mesmo sendo o nosso primeiro livro da saga, o mau é que entramos na história a meio e não sabemos o que raio se passa. Confesso que o meu interesse por policiais tem vindo a aumentar, especialmente depois de ter lido coisas de Dürrenmatt e de Raymond Chandler. Não peguei ainda na trilogia Millenium de Stieg Larsson devido à grandeza dos volumes, embora esteja morta por ler policiais suecos. Não gosto de livros grandes, sejam eles policiais, fantasia ou outro estilo qualquer. Penso que a maior parte das vezes que pego num livro com mais de 450 páginas, tudo à volta dele grita: Palha, e palha é algo que não gosto. A letra é pequena, o livro enorme. Oitenta capítulos dos mais variados tamanhos, que visam acompanhar o final do agente Pendergast e do seu rival, o seu irmão psicopata, Diogenes, que se prepara para cometer um crime terrível. “O livro dos mortos” tresanda a filme de acção típico americano - um suposto plano genial por parte do rival, que falha a todos os níveis na segunda parte da obra. Embora não se note que o livro foi escrito por duas pessoas (factor bastante positivo) a segunda parte é claramente melhor que a segunda, pelo menos a nível de ritmo. Se a primeira parte passa-se com Pendergast na prisão e pormenores bastante interessantes a nível da história do Egipto, cria-se demasiado suspense e questões, que precisam de ser resolvidas na segunda parte. Como sempre o bom ganha, o mau perde, o bom é o herói e é impossível simpatizar com o mau, a nível tradicional “O livro dos mortos” não vem trazer nada de inovador aos policiais, contudo a nível de mudança de cenários bastante cinematográfica, provoca curiosidade no leitor desejoso de chegar ao próximo capítulo para saber como continua o anterior.
Não existe nada de aliciante na narrativa, não existe nenhum mistério, as personagens são planas, as descrições por vezes são exageradas e o último capítulo chega a ser melhor que o livro inteiro. Valeu as informações adicionais sobre o Egipto e sobre o próprio livro dos mortos.

Notas de tradução:
Encontrei algumas gralhas, contudo as duas mais graves, foram:

Página 105: “Laura Croft, põe-te a pau!” - não sei quem é a Laura Croft, mas se estamos a falar da mesma pessoa, então será LARA Croft, aliás Lady Croft e não Laura Croft. Um bocado mais de respeito pelos geeks não fazia mal nenhum.

Página 332: “Com a sereia a uivar, Laura Hayward, conseguiu chegar a Greenwich Village (...)” um livro que tem não só um tradutor como também um revisor devia de pelo menos ter em atenção estas coisas. “Siren” em inglês tanto é sirene, como de facto sereia, embora mermaid seja mais comum. Por isso a menos que na América chame-se sereia a uma sirene, acho que o revisor não devia de passar certos erros tão básicos.

Notas de edição:
Nota-se que em certos parágrafos o tamanho de letra diminui de súbdito e que o espaçamento estava de igual modo diferente. Havia linhas com as palavras expandidas e outras em que as palavras pareciam encostadas umas às outras, o que dificulta a leitura.

Thursday, 22 July 2010

Wide Sargasso Sea

Wide Sargasso Sea
Jean Rhys
Editora: Penguin Books (Student Edition)
Data: Abril 2001
Páginas: 192
ISBN: 9780140818031
Preço: 5€34 (Bookdepository)




“Wide Sargasso Sea” apresenta uma nova e fresca perspectiva da personagem do romance “Jane Eyre”; Bertha Mason, mais conhecida como “the mad woman in the attic”, que nos últimos tempo tem sido encarada como um símbolo da revolta e das consequências da condição da mulher no período Vitoriano e não só. Jean Rhys pega no pouco que é dado ao leitor em “Jane Eyre” e reconstrói um passado fictício dentro da ficção. Através de uma narradora autodiegética (Antoinette) e narrador homodiegético (mr. Rochester) os pormenores balançam entre o presente e o passado, lançando alguma confusão quanto à falível memória de Antoinette. Quem já leu o romance de Jane Eyre conseguirá desenvolver uma afectividade maior para com a personagem, não é de todo aconselhável que o leitor leia primeiro “Wide Sargasso Sea”, correndo o risco de não criar este laço de afectividade para com Antoinette, que é fulcral para a história. Se em Jane Eyre, a personagem Bertha Mason (não Antoinette Rochester) é apresentada como a mulher louca de mr. Rochester, uma mulher trancada no sótão, vigiada pela criada Grace Poole, numa constante prisão e tratada como uma criança. As suas participações no romance são sobretudo vedadas através das suas breves aparições durante a noite, muitas vezes confundida por um fantasma. Bertha destrói o vestido de Jane como símbolo da sua revolta contra o casamento, que a levou à loucura. Partindo desta mulher quase incógnita, Jean Rhys inicia a sua história com a infância de Antoinette, na ilha das Caraíbas, uma colónia Britânica, onde os brancos são uma minoria. Esta minoria contribui para a infância isolada num lugar rodeado de olhares de estranhos onde a escravidão ainda é uma realidade. Antoinette é educada num convento onde as virtudes tipicamente femininas como a beleza, quietude e castidade são elogiadas, contudo é também neste lugar que a personalidade fervilhante de Antoinette se dá a conhecer. A autora coloca alguns laivos de questões dentro da cabeça da personagem para iludir o leitor de que haverá uma possibilidade de loucura a crescer dentro da sua cabeça, porém a loucura só se desenvolve devido ao ambiente de ódio dos escravos agora libertos para com a família de Antoinette. Christophine representa a ponte estabelecida entre a personagem e a magia, mas também com a Colónia, os seus costumes e as suas tradições. A magia negra é um elemento chave através do vudu, zombies e fantasmas, que contribui para uma aproximação das tradições crioulas. Antoinette a certo ponto acredita que a mãe tornou-se um zombie, por ser um corpo sem alma (guiada pela loucura) e de igual forma Antoinette pede a Christophine que lhe faça uma poção para que Rochester a ame. No entanto o seu casamento de conveniência está predestinado a falhar. Mr. Rochester em “Jane Eyre” refere que foi vítima de uma cilada, quando fora apresentado a Bertha, uma mulher bonita com dinheiro. Assim que Rochester entra em contacto com Daniel Cosway, que lhe informa da loucura hereditária na família de Antoinette, o seu comportamento e maneira de observar o exterior muda. A loucura parece estar em cada traço ou cada palavra de Antoinette. Rochester dirige-se a Antoinette como Bertha, com fim de a afastar da imagem original, uma possível lunática e chega a brincar com o seu novo nome, chamando-a de “Marionetta”, um trocadilho com o nome para demonstrar a dependência excessiva das mulheres face aos homens. Tal como a sua mãe, Antoinette depende de Rochester para ter uma vida económica estável, tentando aproximar-se do seu marido sem grande sucesso. Quanto mais Rochester se distância de Antoinette, crescem também os sentimentos desta por ele e é este distanciamento que a leva à loucura. Este resultado não serve só para Antoinette; este é simplesmente um peão que serve de exemplo a todas as mulheres que são aprisionadas e tornadas escravas, despojadas de vontade própria. A condição da mulher como condenadas do amor é formada no fim quando Antoinette espera anos a fio numa Inglaterra fria por Rochester e pela sua reciprocidade. Louca, presa, trocada, ignorada não existe mais nenhum fim digno para Antoinette senão a morte como libertação, como uma espécie de retorno às suas origens. O fogo assume-se como símbolo desta libertação, da morte já prevista pelo seu pássaro que morre no fogo e do próprio temperamento de Antoinette. Enquanto em “Jane Eyre” a morte de Bertha era um mal necessário para o fim cor-de-rosa, em “Wide Sargasso Sea” a morte de Antoinette é o único fim digno para uma personagem, cuja loucura não é mais do que uma consequência da época.

Um livro pequeno, fácil de ler e perfeito.

Citações:

"Our parrot was called Coco, a green parrot. He didn't talk very well, he could say Qui est la? Qui est la? And answer himself Che Coco, Che Coco. After Mr. Mason clipped his wings he grew very bad tempered. . . .
I opened my eyes, everybody was looking up and pointing at Coco on the glacis railings with his feathers alight. He made an effort to fly down but his clipped wings failed him and he fell screeching. He was all on fire."


"He has no right to that name,' she said quickly. 'His real name, if he has one, is Daniel Boyd. He hates all white people, but he hates me the most. He tells lies about us and he is sure that you will believe him and not listen to the other side.'
'Is there another side?' I said.
'There is always the other side, always."


"There is no looking glass here and I don't know what I am like now. I remember watching myself brush my hair and how my eyes looked back at me. The girl I saw was myself yet not quite myself. Long ago when I was a child and very lonely I tried to kiss her. But the glass was between us—hard, cold and misted over with my breath. Now they have taken everything away. What am I doing in this place and who am I?"

Monday, 19 July 2010

a máquina de fazer espanhóis

a máquina de fazer espanhóis
valter hugo mãe
páginas: 287
editora: objectiva
data: fevereiro 2010
preço: 17€



valter hugo mãe dedica este pedaço genial de literatura ao seu pai, que segundo notas do autor não viveu o suficiente para descobrir a terceira idade. logo no inicio somos transportados para o hospital onde o senhor silva visita a sua querida esposa laura que acaba por morrer. o senhor antónio silva, de oitenta e quatro anos é levado para o lar feliz onde conhece o senhor esteves, o homem que inspirou o poeta fernando pessoa a escrever a “tabacaria” e que todo ele era feito de metafísica, o senhor pereira e o senhor silva da europa e o senhor anísio. apesar de amuado e magoado com a família por o ter jogado naquela lar que é sinónimo de morte, o leitor descobre uma personagem fascinante, desbocada, cheia de defeitos, mas que nos ensina bastante sobre a vida na terceira idade. “como é que tu achas que se convence um velho como eu do valor da vida depois da morte da tua mãe. como achas que se justifica a vida para alguém depois dos oitenta anos quando perde a mulher que amou e quem partilhou tudo durante meio século.” (171) fascinou-me a descrição maravilhosa do resto de vida cheia de peripécias de um bando de velhinhos num lar, que ao contrário do que muitas pessoas pensam ainda têm muito para dar ao mundo. a morte adquire um lugar especial no pensamento quando estamos não só perto dela, mas também quando ela nos rodeia, por exemplo através dos sonhos dos abutres que entram no quarto e debicam o senhor silva. este sonho constante serve para aproximar a personagem de uma humanidade maior. O senhor silva tem medo da morte e tem um coração de ouro (através das cartas à dona marta) e também é um ateu malcriado e bastante cómico, o que ajuda o leitor a aproximar-se e simpatizar com a personagem e com o resto dos senhores e senhoras.

A escrita de valter hugo mãe é simples, eficiente e ajusta-se bem à história. Relembra um pouco Saramago quanto ao desrespeito pela gramática e em especial das maiúsculas, mas penso que nada disso contribui para alguma estranheza por parte do leitor. Se alguém critica esta “diferença” por parte do autor é simplesmente algo mesquinho, pois a beleza da escrita também se deve às diferenças e às inovações.

Foi dos melhores livros que li este ano e espero ler mais coisas dele.

Saturday, 10 July 2010

O Passado Que Seremos

O passado que seremos
Inês Botelho
Editora: Porto Editora
Formato: Hardback
Data: Janeiro 2010
Páginas: 208
ISBN: 9789720040855



Sinopse oficial: Elisa e Alexandre conhecem-se num fim-de-semana no Caramulo. São ambos jovens, pertencem a círculos diferentes, vêem o mundo de perspectivas quase sempre opostas – e, no entanto, parecem incapazes de escapar à atracção que lentamente os envolve. Com avanços e recuos, iniciam então uma relação que não entendem e questionam. Mas que os marcará para sempre.
Elisa tem medo da lua e das janelas sem cortinas. Pensa de mais e quer entender o mundo nas suas múltiplas facetas. Alexandre, pelo contrário, avança sem grandes reflexões, preocupado em aproveitar cada momento do presente antes que as responsabilidades o amarrem.
Romance de iniciação à idade adulta, O Passado Que Seremos dá-nos o(s) retrato(s) de uma geração e dos caminhos onde procura encontrar a “sua” verdade.

Basicamente a sinopse encontra-se bastante boa. Resumidamente a sinopse encerra em si a história. “O passado que seremos” trata mais da história do romance entre Alexandre e Elisa, do que o romance em si. Numa entrevista Inês Botelho referiu que não era a relação afectuosa, amorosa que lhe interessava, mas sim como as personagens se moviam e reagiam. Acho que isso ficou bem presente durante o livro e também acho que foi talvez esse o problema. Segundo a sinopse este romance é um romance de iniciação à idade adulta, mais ou menos então para jovens adultos digamos entre os 18 e os 20 anos, no entanto o livro não está escrito para os jovens dessa faixa etária. Se a escrita é o ponto mais forte e mais positivo no romance, é também o principal obstáculo ao entendimento do que se está a passar.

A escrita oscila entre o coloquial e o lirismo, pessoalmente por ser um romance de iniciação à idade adulta o coloquialismo em algumas situações fez-me sorrir e pensar que Inês Botelho sabe perfeitamente o que está a fazer, porque consegue meter um “ok” ou um “tá bem” sem parecer um livro amador. A linguagem coloquial entre os jovens é assim e é assim que terá de ser retratada no papel. Contudo a autora perde-se mais para o fim do livro devido à ausência de diálogos e concentra-se demasiado nas personagens perdendo a potência inicial. Se no início da narrativa conseguimos seguir bem os propósitos de Alexandre e Elisa a partir da segunda parte chega a ser quase impossível saber sequer quem está a falar, se o Alexandre, se a Elisa devido á mudança de narrador constante. Esta alteração de corrente da consciência seria maravilhosa se este livro fosse para adultos, agora para jovens adultos acho que é um pouco exigente demais.

A ideia era excelente: construir um romance que retratasse a nossa juventude, os problemas, as duvidas, as incertezas da nossa geração. O problema do desemprego, os cursos que não dão em nada ou então muito pouco, a emigração que muitas vezes parece ser a última resposta, estes temas são abordados de uma forma por vezes demasiado breve. Se houvesse talvez mais interacção entre as personagens, talvez mais amor, mais sentimentos e menos objectividade penso que o objectivo seria mais facilmente atingido.

Still é um livro bom, pequeno que tem algumas falhas, mas que também é bom saber que temos jovens em Portugal que não envergam só pela Fantasia. É bom saber que existem jovens que estão preocupados e sentem necessidade de transpor por vezes as dificuldades e os obstáculos que sentimos no nosso futuro incerto.

hush, hush

hush, hush
(ebook)
Becca Fitzpatrick
Editora: Simon & Schuster
549 Páginas



Nora Grey é uma adolescente normal, que vais às aulas, às compras e tem um interesse especial em inventar desculpas através dos trabalhos de casa ou de testes para escapar a algumas situações. Numa aula de biologia quase no fim das aulas, o professor troca todos os lugares da turma para uma experiência interessante sobre o sexo oposto e as leis da atracção - Resultado: Nora terá de se separar da sua melhor amiga Vee, para se sentar ao lado de um rapaz bastante anti-social chamado Patch. Patch é um rapaz atrevido, provocante e bastante misterioso, contudo isso não impede Nora de estar insatisfeita com o seu novo parceiro que parece completamente desinteressado com o seu trabalho, mas não na sua nova parceira.

Li algures que este livro era parecido com o “Twilight”. Embora existam algumas semelhanças na sequência da narrativa, penso que as escritoras aprenderam com os erros da Stephanie Meyer. Nora não é de todo “tapadinha” e chega a pensar que Patch é um “stalker”. A sexualidade também não é algo tabu. Por um lado Edward Cullen parece afastar-se de Bella com medo de a magoar, por outro Patch é completamente o oposto: quer aproximar-se de Nora com fim de a matar. Esta relação que não é relação nenhuma acaba por criar uma narrativa de perigos e atracções perigosas que levam o leitor mais jovem a identificar-se com um tipo de rapaz mais “bad boy” do que propriamente o vampiro que brilha e é carinhoso.

Engraçado também de se notar o facto de as raparigas não usarem maquilhagem ou pelo menos os rapazes dizem sempre que as raparigas ficam melhor sem maquilhagem. Se uma rapariga usa produtos para querer parecer mais bonita ou simplesmente diferente, acho que temos todo o direito de os usar. Se me disserem: mas a beleza natural é melhor, concordo com a afirmação. Contudo cada pessoa veste-se e usa aquilo que julga mais bonito.

O livro tem falhas e não é propriamente o ex-libris da literatura, mas serviu para me entreter durante 3 horinhas enquanto estava a apanhar uma seca. Por isso cumpriu a sua função. Via haver provavelmente uma sequela, já que agora queremos ver como é que a relação de Nora e Patch evolui.

E já agora este foi o primeiro livro que li totalmente no computador. Pensei que não ia conseguir ler, mas o formato foi bastante bom, com letras grandes, espaçamento bom o que só facilitou a leitura. Pode ser que um dia compre um "Kindle" :)

Saturday, 3 July 2010

Livros novos a ter em atenção

Para os mais distraídos que estejam atentos só às novidades em português, aqui vão algumas sugestões de novidades (algumas já publicadas mas em Hardback) vindas de lá fora no campo da fantasia, steampunk e clássicos:

Fantasia:

A Dance with Dragons: Book 5 of a Song of Ice and Fire
George R. R. Martin

Editora: HarperCollins Publishers
Data: 30 Setembro 2010
Format: Hardback
Páginas: 704
Preço: 18€15

Sinopse: The long-awaited fifth volume in the hugely popular and highly acclaimed epic fantasy A SONG OF ICE AND FIRE The last of the Targaryons, Daenerys Stormborn, the Unburnt, has brought the young dragons in her care to their terrifying maturity. Now the war-torn landscape of the Seven Kingdoms is threatened by destruction as vast as in the violent past. Tyrion Lannister, a dwarf with half a nose and a scar from eye to chin, has slain his father and escaped the Red Keep in King's Landing to wage war from the Free Cities beyond the narrow sea. The last war fought with dragons was a cataclysm powerful enough to shatter the Valyrian peninsula into a smoking, demon-haunted ruin half drowned by the sea. A DANCE WITH DRAGONS brings to life dark magic, complex political intrigue and horrific bloodshed as events at the Wall and beyond the sea threaten the ancient land of Westeros.



Dark Moon of Avalon: A Novel of Trystan and Isolde
Anna Elliott

Editora: Simon & Schuster
Data: 23 Agosto 2010
Format: Paperback
Páginas: 448
Preço: 9€06

Sinopse: Reunited after a hard-fought but tenuous victory, the young former High Queen Isolde and her friend and protector Trystan are sent on a dangerous quest to keep Lord Marche from usurping the throne of Britain through the brute force of his Saxon allies. This time, they must act as diplomats, persuading the rulers of each of the smaller kingdoms, from Ireland to Cornwall, that their loyalty to King Madoc is needed to keep Britain from the hands of a despot. With the combined influences of Isolde's cunning wit and talent for healing, and Trystan's strength and bravery, they must win the loyalty of a kingdom to fight for the side of right. . Though Trystan has protected his identity for years, he has been exposed to the one person he's feared the most - his father, Lord Marche, who now understands the threat his estranged son will prove to be. With admissions of love hanging in the air, both Trystan and Isolde feel that their presence puts the other at greater risk. But when their situation is at its most desperate, they must finally confront their true feelings towards each other, in time for a battle that will test the strength of their will and their hearts.


Odd and the Frost Giants
Neil Gaiman

Editora: Bloomsbury Publishing PLC
Data: 04 Outubro 2010
Formato: Hardback
Páginas: 160
Preço: 9€06

Sinopse: With a new story featuring Odd, this time travelling to Jerusalem, this expanded version of the 2008 bestseller is a tender, humorous and compelling tale of Viking adventure by multi-award-winning author Neil Gaiman





Steampunk:

Behemoth
Scott Westerfeld

Editora: Simon & Schuster Ltd
Data: 01 Outubro 2010
Formato: Hardback
Páginas: 432
Preço: 11€99

Sinopse: The Leviathan arrives in Constantinople, a city where Clanker culture and Darwinst principles intersect in the most intriguing ways. Dr Barlow and Deryn deliver their precious cargo to the Sultan, but their peace-keeping mission goes unexpectedly - and disastrously - awry. Now the only way to save themselves in this hostile, politically-charged city is for Dr Barlow to offer up the thing that matters most: the air ship. Alek escapes from his prison camp and goes on the run with his men and the loris while Count Volger stays behind to fend-off the pursuit, forcing Alek to take on new responsibilities. Meanwhile a secret mission lands Deryn in serious danger...and leads both teens to re-evaluate their precarious situations in the world.

Blameless (Série 3 dea saga The Parasol Protectorate)
Gail Carriger

Editora: Little, Brown & Company
Data: 01 Setembero 2010
Formato: Paperback
Páginas: 384
Preço: 7€25

[ALERTA SPOILER]
Sinpopse: Quitting her husband's house and moving back in with her horrible family, Lady Maccon becomes the scandal of the London season.

Queen Victoria dismisses her from the Shadow Council, and the only person who can explain anything, Lord Akeldama, unexpectedly leaves town. To top it all off, Alexia is attacked by homicidal mechanical ladybugs, indicating, as only ladybugs can, the fact that all of London's vampires are now very much interested in seeing Alexia quite thoroughly dead.



Clássicos:

Wuthering Heights the Graphic Novel
Emily Brontë

Editora: Classical Comics
Data: 31 Março 2011
Format: Paperback
Páginas: 160

Sinopse: This classic novel is brought to life in full colour! Emily Bronte's only novel is famous the world over - not least because of Kate Bush's 1978 'tribute song' - but don't let that trivialise this masterpiece of classical literature. Hardship, insanity, cruelty, frustrated love, and ghosts; what more could you want from a book?






Dracula: The Graphic Novel
Bram Stoker - Staz Johnson

Data: 31 Janeiro 2011
Formato: Paperback
Páginas: 144
Preço: 9€06

Sinopse: Bram Stoker's gothic masterpiece was first published in 1897, and has spawned so many classic films, all based on the character he invented when Queen Victoria was on the throne. This title presents the story in colour.








Mrs Dalloway's Party: A Short Story Sequence
Virgina Woolf

Editora: CCV
Data: 04 Novembro 2010
Formato: Hardback
Páginas: 80
Preço: 8€16










Thursday, 1 July 2010

Contos de Fábio Ventura

Fábio Miguel Ventura nasceu em Portimão a 24 de Julho de 1986, tendo completado a licenciatura em Comunicação Social e estagiado no canal de televisão português Sic. Orbias é o seu primeiro livro publicado pela Casa das Letras em Setembro de 2009, e o segundo volume irá ser publicado a Setembro deste ano. Por entre as várias inspirações constam o anime japonês como Sailor Moon, os videojogos como a saga de Hironobu Sakagushi Final Fantasy, no campo das letras destaca-se a influência de escritores como Stephanie Meyer, Scott Westerfeld, Neil Gaiman e Cassandra Clare. Convém salientar que nunca li o livro, mesmo assim os contos complementam a sua função com poucas noções da narrativa principal e servem para analisar a escrita e a criatividade do autor (e não do livro).

Os contos apresentam algumas oscilações, sendo o primeiro conto escrito em Maio deste ano e o último no mês passado, contudo o conto de Lily-Violet e do Rouge parecem interligados devido ao estilo "Märchen" que o autor adoptou. O orfanato, o clima fantasioso e a lição moral no fim do conto de Rouge parecem querer atingir um público de todas as idades. Através da acção e dos nomes conseguimos aproximarmo-nos das personagens: Lily-Violet símbolo da inocência e da harmonia parece-se com uma "Selphie", sempre alegre absorvendo as tristezas do passado; Rouge parece ter de acordo com a cor do seu cabelo um temperamento bastante tempestuoso e também parece um pouco mimada e inconsciente, Belladonna a personagem que achei mais equilibrada, ponderada e até mesmo auto-crítica e Lorelei foi a desilusão.

Os contos parecem ter em vista vários tipos de público-alvo, desde a adolescente mais "pop" ao leitor que está à espera de algo mais do que uma cara bonita a ir às compras de roupa. No conto de Rouge o autor parece condenar essa personalidade superficial, obrigando a Guerreira a aprender com os seus erros, lição esta que é de imediato apreendida pela Guerreira. Contudo o conto de Lorelei era o que tinha mais curiosidade e o que me desiludiu. O autor cai em alguns estereótipos: menina bonita + namorado gótico (emo?) = oh não amigas sem cérebro contra. A personagem de Adam é afastada pela própria Lorelei que rouba o protagonismo. O casal não parece ter nenhuma ligação emocional e perguntamos porque razão é que eles estão juntos quando ele mal fala ou não têm nada a ver um com o outro. Por um lado é positivo: nem todas as relações sobrevivem, por outro lado parece-me tudo mal de amores, já que Noemi também ficou sem o Sebastian.

Belladonna, como já referi foi a que me interessou mais. Imaginei-a de roupas interiores no cabaret e uma espécie de prostituta ou acompanhante, boémia e dandi. Fémme fatale, sedutora, perigosa que sabe usar o poder que tem. O facto de ter falhado na sua missão também revela uma maior maturidade da narrativa. Nem sempre se vence neste mundo e nem tudo é perfeito. O autor revela criatividade nos diferentes cenários, embora algumas cenas fossem previsíveis e caindo por vezes em estereótipos desnecessários: a Rouge e a Lorelei parecem ter 16 anos e por vezes caem como malcriadas e o Adam parece-me mais emo que gótico: sim ficariam surpreendidos ao ver o quão sociais os góticos são. A história de Rouge (orfã de mãe) também me parece algo estereotipado.

A escrita também revela algumas oscilações entre o "purple-prose" e o juvenil, por vezes roçando um pouco no imaturo:

"Tinha o biquíni perfeito para aquelas férias, o último modelo de Marc Jacob."

(ps: não sei quem é o Marc Jacob... mas deve ser alguém famoso pelos vistos). O estilo do conto de Lorelei lembrou-me um pouco o estilo da P. C. Cast com o de Toney Hurley, se calhar de forma inconsciente para o autor. Existem também passos engraçados que se calhar o autor poderá aproveitar como no conto da Rouge:

"…
…chão frio.
…muito pó e dores de cabeça."

Pareceu uma breve tentativa de "stream of consciouness" para desenjoar tantos queques e atitudes mimadas da princesa, mas que me fizeram sorrir por um bocado.

Em suma os contos serviram para aproximar um pouco da escrita do Fábio Ventura para analisar se valeria a pena comprar o livro, visto que muitas vezes a sinopse não é suficiente. Pessoalmente só o conto da Belladonna se aproximou do adulto, de resto pareceu-me prosa para adolescentes, sem tom pejorativo, o autor ainda terá muito tempo para aperfeiçoar a escrita e afinar algumas coisas - para isso é que servem as reviews.


Link para os contos: